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PL e MDB concentram mais pré-candidatos competitivos ao Senado

O PT, por sua vez, tem 7 dos 64 pré-candidatos que lideram pesquisas à Casa Alta

Eleições 2026: Pesquisas medirão decisão do eleitorado brasileiro (Leandro Fonseca)

Eleições 2026: Pesquisas medirão decisão do eleitorado brasileiro (Leandro Fonseca)

Letícia Cassiano
Letícia Cassiano

Colaboradora

Publicado em 5 de julho de 2026 às 08h01.

O campo político de direita domina as pesquisas de intenção de voto para o Senado. As siglas PL, MDB, PSD e Republicanos concentram a maior parte dos pré-candidatos mais competitivos na disputa pelas 54 vagas que estarão em jogo para a Casa legislativa nas eleições de 2026.

Um levantamento da EXAME, com base nas últimas pesquisas divulgadas em todos os estados, mostra 64 pré-candidatos que estão tecnicamente empatados na liderança das disputas pelas duas vagas ao Senado.

O PL, partido do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, reúne o maior número de candidatos competitivos, com 12 nomes. Na sequência vêm o MDB, com 10 pré-candidatos, o PT, com sete, e o PSD, com seis cada.

O PT aparece na terceira posição geral, com sete dos pré-candidatos mais competitivos.

Entre eles estão os ex-governadores baianos Rui Costa e Jaques Wagner, a deputada federal Benedita da Silva, no Rio de Janeiro, a deputada federal Gleisi Hoffmann, no Paraná, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, além de Eliziane Gama, no Maranhão, e Samanda Alves, no Rio Grande do Norte.

Na sequência aparece o Republicanos, com cinco. União Brasil, PP e PSB têm quatro representantes cada um, enquanto Rede, Podemos, PSDB, PDT e Novo têm dois pré-candidatos competitivos cada. O Avante e o PSOL aparecem com um representante cada neste grupo.

Para a construção do levantamento, a EXAME agregou as pesquisas eleitorais mais recentes com cenários testados para o Senado de cada estado. Todas as pesquisas são dos últimos seis meses e foram registradas no TSE. Foram considerados pré-candidatos competitivos os nomes que estão na liderança ou empatados com os dois primeiros colocados numericamente.

Empates e diferentes contextos políticos

Nos estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe, o cenário eleitoral para o Senado parece menos definido.

No caso de Alagoas, três pré-candidatos lideram as pesquisas: Alfredo Gaspar (PL), Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP), sem uma polarização de campo político. Neste pleito estadual, sobretudo no Executivo, a disputa está entre a família Calheiros, apoiada pelo presidente Lula e à centro-direita, e o tucano JHC.

Situações diferentes das observadas em Rio Grande do Sul e São Paulo. Enquanto no estado gaúcho a disputa está entre Marcel Van Hattem (Novo), Manuela D'Ávila (PSOL) e Ubiratan Sanderson (PL) – dois alinhados com a direita e uma com a esquerda –, em São Paulo os favoritos são Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Guilherme Derrite (PP) – duas na chapa de Fernando Haddad (PT) e um concorrendo com Tarcísio de Freitas (Republicanos).

No entanto, é no Paraná que o quadro eleitoral parece menos previsível. Alvaro Dias (MDB) lidera isoladamente, segundo o último levantamento sobre o estado.

Empatados em segundo lugar estão Deltan Dallagnol (Novo), Gleisi Hoffmann (PT), Filipe Barros (PL) e Alexandre Curi (Republicanos). Todos de direita e centro-direita, com exceção de Hoffman, que representa a cota progressista do estado.

O futuro de um Senado conservador

Para analistas, o Brasil ainda atravessa um período de fragilidade na relação entre os Poderes, sobretudo entre o Judiciário e o Legislativo. Com uma maioria conservadora, o equilíbrio pode ficar ainda mais exposto.

Segundo Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), a eleição ao Senado será, em grande medida, uma disputa sobre o modelo de equilíbrio institucional que o país pretende adotar a partir de 2027. "O Senado terá enorme influência sobre a governabilidade do próximo presidente, seja ele quem for", afirma.

Para Medeiros, há uma tendência de uma bancada mais conservadora na Casa, especialmente numa pauta de oposição ao Supremo Tribunal Federal (STF).

"É provável que temas relacionados ao chamado ativismo judicial ocupem espaço relevante na agenda política", disse. "Podemos caminhar para um Senado menos disposto a exercer apenas uma função revisora e mais interessado em afirmar seu papel como Casa moderadora da República."

Nova renovação no Senado

O mandato dos Senadores dura oito anos e cada estado e o Distrito Federal tem direito a três cadeiras. Em 2018, dois senadores foram eleitos e devem sair ao final de 2026. Já em 2022, apenas uma cadeira por estado foi disputada no pleito, numa eleição que reafirmou o avanço da direita já observado entre os senadores nomeados em 2018, quando houve uma onda "antipolítica" de outsiders liderados por Jair Bolsonaro (PL).

Oito anos depois, dois terços do Senado serão renovados novamente. E uma miríade de acontecimentos políticos separa os pleitos. Segundo Murilo Medeiros, 2026 tende a marcar o retorno de lideranças mais experientes, como ex-governadores, ex-ministros, ex-prefeitos de grandes capitais e parlamentares com trajetória consolidada, com menor espaço para outsiders.

"Isso não significa menor polarização ideológica. Pelo contrário. Vamos ter um Senado formado por quadros com maior bagagem política e, ao mesmo tempo, com posições ideológicas bastante definidas", afirma.

Como o brasileiro vota para senador

Em eleições gerais, quando presidente, governadores, senadores, deputados estaduais e deputados federais são escolhidos, os eleitores tendem a prestar menos atenção ao voto ao Senado. A preferência acaba sendo por votar nos nomes associados aos políticos mais chamativos, como os candidatos à presidência e governo estadual, sem conhecer o trabalho e a trajetória dos candidatos ao Legislativo.

Não é exagero falar em indiferença com o cargo. Segundo uma pesquisa do instituto Datafolha, 75% dos brasileiros não conseguem citar espontaneamente o nome de um senador em exercício, e apenas 23% se lembram em quem votaram para senador em 2022.

"Poucos cargos concentram tanto poder e, ao mesmo tempo, recebem tão pouca atenção do eleitor quanto o Senado. O mandato de oito anos faz com que muitos brasileiros só voltem a pensar no Senado quando uma nova eleição se aproxima", diz Medeiros.

Apesar disso, o cientista político vê uma realidade em mudança. O posicionamento anti-STF dos parlamentares deu mais visibilidade para o que acontece na cúpula do Senado, o que deve aumentar o interesse do eleitor pela disputa senatorial. "Esse novo olhar torna a eleição dos senadores menos acessória e mais decisiva do que em ciclos anteriores", afirma.

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