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Os sinais de Caiado sobre seu plano de governo

Temas como anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, segurança pública, terras raras e uso de tecnologia aparecem como pilares centrais do seu primeiro discurso

Caiado: pré-candidato defendeu que o Brasil será pacificado com anistia (Lula Marques/Agência Brasil)

Caiado: pré-candidato defendeu que o Brasil será pacificado com anistia (Lula Marques/Agência Brasil)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 1 de abril de 2026 às 06h01.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), deu indicativos sobre as diretrizes de um eventual plano de governo ao lançar sua pré-candidatura à Presidência nesta segunda-feira, 30.

Temas como anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, segurança pública, terras raras e uso de tecnologia aparecem como pilares centrais do seu primeiro discurso como escolhido do PSD. 

Caiado busca se posicionar como alternativa à polarização política, embora sustente pautas associadas ao campo da direita. O discurso combina crítica ao ambiente político atual com defesa de medidas de forte impacto institucional, como a anistia, que ele trata como instrumento para “pacificar o Brasil”.

Ao mesmo tempo, o governador ancora sua narrativa em resultados de gestão em Goiás, sobretudo em segurança, educação e inovação.

“Ninguém atinge 88% sendo radical”, disse, ao defender sua capacidade de diálogo e governabilidade.

Ao comentar sobre a anistia, Caiado afirmou que pretende incluir a medida no plano de governo e sustentou que isso lhe daria legitimidade popular para implementá-la.

“Ao chegar no dia primeiro de janeiro, eu vou assinar anistia ampla, geral e restrita a todos e ao ex-presidente”, disse.

Segundo ele, a iniciativa teria caráter plebiscitário e incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O seu plano de governo foi aprovado”, disse, ao argumentar que a decisão estaria respaldada pelo voto popular e não poderia ser questionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segurança pública no centro

Para além da anistia, Caiado coloca a segurança pública como base do funcionamento do Estado. O governador afirma que não há Estado democrático de direito em áreas dominadas pelo crime e defende maior integração entre forças de segurança.

O governador goiano, que é crítico da interferência do governo federal na competência estadual do combate ao crime, afirmou que, se eleito, atuaria no controle de presídios, integração policial e uso de inteligência.

O pré-candidato também defendeu cooperação internacional com os países vizinhos do Brasil para combate ao narcotráfico, com uso de drones, satélites e compartilhamento de dados.

A estratégia inclui o uso intensivo de tecnologia. Caiado destacou o desenvolvimento de sistemas baseados em inteligência artificial para combate ao crime.

“É a IA do combate ao crime”, disse.

Agenda econômica

No campo da economia, Caiado indicou que pretende priorizar geração de emprego e ajuste das contas públicas como eixo da política econômica. O governador criticou o que chamou de assistencialismo populista da atuação gestão, sem se referir diretamente ao Bolsa Família. 

“Nós não nos vangloriamos do cartão social, nós nos vangloriamos daquelas pessoas que são emancipadas e passam a viver da sua própria renda", afirmou.

Ao ser questionado sobre reformas e condução econômica, o pré-candidato indicou que pretende seguir uma linha de ajuste fiscal combinada com gestão. Caiado evitou, porém, prometer que irá cortar subsídios especificos e deu exemplo de Goiás.

“Entrego o governo amanhã com R$ 9,8 bilhões em caixa e nenhuma dívida”, disse.

O governador não detalhou propostas específicas de reformas ou mudanças tributárias, mas indicou que decisões nessa área devem partir de coordenação entre os poderes e responsabilidade fiscal.

“É só você cumprir aquilo que qualquer economista lhe ensina, ter a coragem e dar o exemplo”, afirmou.

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