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ONU manifesta preocupação com aumento dos casos de cólera no Haiti

"Até alguns dias atrás, o aumento de casos de cólera era progressivo, mas agora vemos um aumento acentuado inquietante", escreveu a sueca Ulrika Richardson, coordenadora humanitária da ONU no país

A doença, embora fatal, é "prevenível e tratável", por isso "devemos agir logo" (Khaled Abdullah/Reuters)

A doença, embora fatal, é "prevenível e tratável", por isso "devemos agir logo" (Khaled Abdullah/Reuters)

A
AFP

Publicado em 25 de outubro de 2022, 18h35.

Última atualização em 25 de outubro de 2022, 18h50.

A ONU demonstrou preocupação, nesta terça-feira, 25, com o "aumento acentuado" dos casos de cólera no Haiti, que registrou quase o dobro de suspeitas em apenas alguns dias.

"Até alguns dias atrás, o aumento de casos de cólera era progressivo, mas agora vemos um aumento acentuado inquietante. Então a situação se torna mais complicada", escreveu a sueca Ulrika Richardson, coordenadora humanitária da ONU no país, em um post de blog publicado nesta terça-feira, 25.

A doença, embora fatal, é "prevenível e tratável", por isso "devemos agir logo", acrescentou Richardson. A responsável deu boas-vindas à resposta "rápida e decisiva" de autoridades e ONGs, apesar do caos gerado pelo bloqueio do principal terminal petrolífero por parte das gangues há um mês.

"Segundo o Ministério da Saúde do Haiti, o número de casos suspeitos quase dobrou entre 20 e 23 de outubro, passando de em torno de mil para cerca de 2 mil", especificou, durante uma coletiva de imprensa, Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.

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"De acordo com o Unicef, crianças com menos de 14 anos representam cerca de metade dos casos suspeitos", acrescentou, ao destacar que a escassez de combustíveis torna o trabalho da equipe humanitária "muito mais difícil".

Enquanto a falta de combustível interrompe a distribuição de água potável, fundamental no tratamento da doença, o Unicef começou a distribui-la para quase mil pessoas em Cité Soleil, um bairro pobre da capital Porto Príncipe e um dos "epicentros" desse novo surto de cólera, destacou Dujarric.

Ulrika Richardson, que visitou vários centros médicos nos bairros mais afetados em Porto Príncipe, descreve "cenas angustiantes", de "crianças tão desnutridas que era muito difícil inserir uma infusão em seus braços ou pernas; e adultos realmente doentes".

O cólera voltou a assombrar o Haiti no início de outubro, após três anos sem casos. Esta doença foi introduzida por efetivos das forças de paz da ONU em 2010 e a epidemia causou estragos até 2019, provocando mais de 10 mil mortes.

Para enfrentar a paralisação do país e a situação sanitária e humanitária, o governo pediu ajuda à comunidade internacional. A pedido de Guterres, o Conselho de Segurança da ONU está considerando enviar uma força internacional para restaurar a ordem no país caribenho.

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