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Grupos criminosos usam violência sexual para aterrorizar população no Haiti, alerta ONU

"Os grupos usam a violência sexual para incutir medo, e o número de casos aumenta diariamente de forma alarmante", alertou a alta comissária interina da ONU para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif

(Julho) Haitianos protestam em Porto Príncipe (AFP/AFP)

(Julho) Haitianos protestam em Porto Príncipe (AFP/AFP)

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AFP

Publicado em 14 de outubro de 2022, 18h59.

Última atualização em 14 de outubro de 2022, 19h07.

Os grupos criminosos do Haiti, que controlam a maior parte da capital, Porto Príncipe, usam a agressão sexual para aterrorizar a população e consolidar seu poder territorial, alerta a ONU em relatório divulgado nesta sexta-feira.

Mais de meia dúzia de grupos armados travam guerras territoriais no país caribenho, mas os combates na capital são particularmente intensos, o que torna os deslocamentos perigosos e dificulta o funcionamento dos hospitais.

"Os grupos usam a violência sexual para incutir medo, e o número de casos aumenta diariamente de forma alarmante", alertou a alta comissária interina da ONU para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif.

O relatório menciona estupros coletivos de crianças de até 10 anos e mulheres idosas, muitas vezes diante de familiares. Os grupos usam os estupros "para castigar, subjugar e infligir dor" aos haitianos, e como ferramenta coercitiva, para forçar a cooperação, aponta o texto.

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No ano passado, "a violência das gangues saiu do controle" nas cidades do Haiti, aponta o relatório, segundo o qual 60% de Porto Príncipe pode estar agora sob território controlado por grupos criminosos, o que representa pelo menos 1,5 milhão de pessoas.

Divulgado pelo escritório da ONU no Haiti e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o relatório destaca que algumas vítimas são sequestradas e submetidas a agressões "por vários dias ou semanas".

Os ataques têm o objetivo de castigar os haitianos por viverem ou atravessarem áreas controladas por grupos rivais ou pressionar as famílias das vítimas a pagar resgate. Em apenas uma semana de julho, gangues armadas rivais agrediram sexualmente 52 mulheres e meninas no distrito de Cité Soleil, na capital, segundo o relatório. Quase todas as agressões sexuais ficam impunes, afirma o relatório, em parte devido à insegurança reinante.

A violência das gangues diminuiu no Haiti entre 2004 e 2017, quando as forças de paz da ONU estavam no país, mas aumentou desde então. Os grupos lutam entre si e oprimem a população com armas cada vez mais sofisticadas, segundo o relatório.

O documento pede aos órgãos da ONU, grupos da sociedade civil e outros que ajudem o Haiti a fortalecer seus sistemas policial, de saúde e judicial, para lutar contra a impunidade. Sem isso, enfatiza, a onda de estupros "pode destruir ainda mais um tecido social já profundamente frágil e minar as perspectivas de uma estabilidade duradoura".

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