Pix e tarifaço: Estados Unidos não têm competência para alterar o funcionamento do Pix (FG Trade/Getty Images)
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Publicado em 15 de julho de 2026 às 22h02.
Nesta quarta-feira, 15, o governo dos Estados Unidos aplicou um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O Pix, que já vinha sendo atacado pelo presidente Donald Trump, entrou no centro da discussão após ser citado no processo.
No começo do mês, o órgão americano classificou o Pix como uma política comercial "irrazoável", como justificativa para a proposta de tarifa de 25%. Em 7 de julho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, participou de uma audiência pública do USTR e defendeu que eventuais medidas comerciais contra o Brasil fossem adiadas para depois das eleições de outubro.
Apesar dos ataques, os Estados Unidos não têm competência para alterar o funcionamento de um sistema de pagamentos estrangeiro como o Pix, que é regulado pelo Banco Central e integra o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).
Assim, o tarifaço não terá efeitos para o funcionamento do Pix.A investigação foi aberta pelo USTR para analisar práticas comerciais brasileiras consideradas pelo governo americano como potencialmente prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.
Entre os temas abordados pelo órgão está o Pix. O governo americano questiona se o sistema de pagamentos poderia favorecer uma infraestrutura pública em detrimento de empresas privadas norte-americanas que atuam no mercado financeiro.
Na resposta oficial encaminhada ao USTR, o governo brasileiro rejeitou essa interpretação. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o Pix é uma infraestrutura pública aberta à participação das instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, sem discriminação entre empresas nacionais e estrangeiras.
O Itamaraty também sustentou que a ampla adoção do Pix decorre de sua eficiência e dos benefícios oferecidos aos usuários, e não de restrições à concorrência, e que traz benefícios a empresas americanas que atuam no Brasil, ao reduzir os gastos com transferências eletrônicas e emissão de boletos, por exemplo.