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Sem mencionar Flávio, Alckmin diz que 'sabotadores' e 'falsos patriotas' prejudicam diálogo com EUA

Vice-presidente afirmou que vai mobilizar a iniciativa privada para que recomendação de tarifaço não seja acatada por Trump

Geraldo Alckmin: vice-presidente diz que governo vai atuar para que novo tarifaço não seja aplicado (EVARISTO SA /AFP)

Geraldo Alckmin: vice-presidente diz que governo vai atuar para que novo tarifaço não seja aplicado (EVARISTO SA /AFP)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 2 de junho de 2026 às 14h04.

Última atualização em 2 de junho de 2026 às 14h18.

O vice-presidente Geraldo Alckmin disse nesta terça-feira, 2, que o governo brasileiro vai continuar dialogando com a gestão de Donald Trump para reverter um eventual novo tarifaço às exportações brasileiras após recomendação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês) para que os EUA apliquem 25% de tarifas sobre o Brasil.

Sem mencionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que se encontrou com o presidente americano na semana passada durante visita a Washington —, Alckmin criticou "falsos patriotas" e "sabotadores" das negociações em curso entre os dois países.

"Olha, sempre que o diálogo (entre os governos Lula e Trump) avança, sabotadores agem para prejudicar o país, colocando seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do Brasil e do povo brasileiro, porque isso tem reflexos: prejudica o emprego, a renda, as empresas e a sociedade. O presidente Lula vai trabalhar no sentido de que isso (a recomendação do USTR) não se converta (em tarifaço)", disse Alckmin a jornalistas no Palácio do Planalto.

Além de Alckmin, também já se manifestaram sobre a recomendação do USTR o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). A estratégia de comunicação do governo é reforçar a defesa do Pix e atribuir, de forma enfática, sanções ao Brasil à atuação da família Bolsonaro junto a Trump. Pouco antes do discurso de Alckmin, Lula chamou Flávio Bolsonaro de "imbecil" e "covarde" por supostamente ter atuado em prol de um novo tarifaço contra exportações brasileiras.

O vice-presidente Alckmin disse ainda que o governo vai mobilizar a iniciativa privada brasileira e que vai fazer contribuições em audiências e consultas públicas nos EUA para contrapor a recomendação do USTR em relação ao tarifaço.

Alckmin também afirmou que, apesar do diálogo aberto, não há possibilidade de que o governo brasileiro faça concessões às críticas do USTR ao sistema de pagamentos do Pix. A autoridade americana vê no sistema gratuito do Pix concorrência desleal em relação a sistemas de pagamento controlados por empresas americanas.

"O Pix não tem a menor lógica de entrar nisso, porque ele não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira", disse.

Alckmin ressaltou que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil (no ano passado, foi de US$ 7,46 bilhões) e que o Brasil reduziu o desmatamento na Amazônia -um dos pontos mencionados pelo USTR em sua investigação sobre o país- em 50%.

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