Mercado privado prevê vacina no Brasil em março, mas só para empresas

Setor encomendou 5 milhões de doses do laboratório indiano Bharat Biotech. Vacina ainda depende de registro na Anvisa

O mercado privado de vacinas no Brasil prevê um imunizante contra a covid-19 disponível no país em março. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (Abcvac), Geraldo Barbosa, foram encomendadas 5 milhões de doses do laboratório indiano Bharat Biotech.

Cerca de 60% desse total devem estar em solo brasileiro na primeira remessa. Mas para que o cronograma seja cumprido, ainda é necessário o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Eles nos deram o prazo de que vão submeter o registro no dia 15 de fevereiro e vamos sempre acompanhar. Eles já solicitaram o certificado de boas práticas da fábrica. Todos os cronogramas estão sendo cumpridos”, disse Barbosa, em entrevista exclusiva à EXAME.

Representantes do mercado privado de vacinas do Brasil foram até a Índia na semana passada para conhecer os processos de fabricação da chamada Covaxin. O laboratório indiano assinou um acordo com a empresa brasileira Precisa Medicamentos, para fazer a distribuição e venda no Brasil.

De acordo com Barbosa, o foco do mercado privado é atender empresas, que querem comprar uma vacina para os funcionários. E que neste primeiro momento não deve ser disponibilizado um imunizante em clínicas, vendido diretamente às pessoas. Veja os principais trechos da entrevista.

Como foi a inspeção da comitiva ao laboratório na Índia?

Quando assinamos o memorando de entendimento, colocamos que precisávamos ver in loco, a qualidade, se a vacina não era conflitante com o mercado público. A gente também queria saber como foram feitos os estudos de eficácia e qualidade. Eu posso dizer que fiquei impressionado com o investimento da Índia e a capacidade de tecnologia. Tem uma estrutura incrível, isso ficou bem evidente e realmente tudo o que falaram é muito maior. Saímos com mais certezas do que dúvidas.

O que ficou acordado?

O memorando foi ratificado. Agora, nós dependemos só do registro da Anvisa. Eles nos deram o prazo de que vão submeter o registro no dia 15 de fevereiro e vamos sempre acompanhar. Eles já solicitaram o certificado de boas práticas da fábrica. Todos os cronogramas estão sendo cumpridos. E está mantida a previsão de ter uma vacina no mercado privado em março.

Já há uma previsão, agora, de quanto vai custar cada dose?

Estamos cuidando do custo efetivo, que envolve seguro, a logística, barreiras regulatórios. Tudo isso será feito pelo laboratório e impacta no preço. Ainda não temos este valor. A questão do seguro não imaginávamos qual seria o valor. Os riscos envolvidos com a vacina contra a covid-19 fizeram aumentar o preço de um seguro em 300%, em média, se comparado com o seguro de uma outra vacina.

Quantas doses foram encomendadas? Como será a distribuição?

Nós solicitamos 5 milhões de doses e na visita pedimos doses adicionais. Mas eles nos informaram que só vão disponibilizar mais, após cumprirem todos os contratos com os governos. A distribuição será feita de forma escalonada, mas a gente espera receber 60% deste total já na primeira remessa.

O setor privado foi muito criticado por fazer uma negociação ao mesmo tempo do setor público. Como a associação avalia essas críticas?

Essa foi uma crítica muito superficial porque desconsidera que o nosso objetivo é ofertar para o mercado corporativo, que vai dar a vacina de forma gratuita para os seus funcionários. Claro que podemos distribuir para pessoas físicas, mas isso só vai ocorrer se tivermos doses adicionais, ou se sobrar. Vamos somar mais 2,5 milhões de brasileiros protegidos. Se o mercado privado pode contribuir, é mais do que justo. Todo mundo que criticou tem plano de saúde, tem algum plano de saúde suplementar, e não usa 100% o SUS. A nossa busca é suplementar o que o governo está fazendo.

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