Eleições Mato Grosso do Sul: candidatos devem focar na sustentabilidade e no agro
Colaboradora
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 15h10.
No dia 4 de outubro, data marcada para o primeiro turno das eleições de 2026, a população vai às urnas para votar para presidente da República, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. Caso haja segundo turno para o Poder Executivo, a votação ocorrerá no dia 25 de outubro.
De acordo com o perfil eleitoral divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o estado contabiliza 2.025.001 eleitores aptos a votar. Desse total, mais de 87% já realizaram o cadastramento da biometria perante a Justiça Eleitoral.
O registro oficial de candidaturas no TSE abrange oito concorrentes ao governo do estado. Os candidatos aprovados pelas convenções partidárias representam diferentes correntes políticas e visões de desenvolvimento para o estado:
Entenda as principais propostas das chapas eleitorais dos candidatos:
Eduardo Riedel é empresário, produtor rural e atual governador de Mato Grosso do Sul, concorrendo à reeleição.
A coligação majoritária reúne partidos como PP, União Brasil, PL, PSDB, Cidadania, Podemos, Avante, Republicanos, PSD e MDB.
Seu programa de governo prioriza a continuidade do plano de atração de investimentos privados para a industrialização de commodities, a conclusão das obras logísticas da Rota Bioceânica e o fortalecimento do equilíbrio fiscal com a ampliação de parcerias público-privadas.
Fábio Trad é advogado e ex-deputado federal por Mato Grosso do Sul, e encabeça a candidatura do Partido dos Trabalhadores ao governo estadual.
Suas propostas envolvem a expansão da rede de atenção básica à saúde, o fortalecimento dos programas de assistência social e o apoio contínuo à agricultura familiar, integrando incentivos federais com a infraestrutura estadual.
É engenheiro e ex-senador da República por Mato Grosso do Sul. Disputa o governo estadual pelo Partido Renovação Democrática (PRD).
Suas diretrizes de campanha destacam a descentralização dos serviços de saúde no interior do estado, o reforço na segurança pública das fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, além de incentivos tributários para pequenas e médias empresas.
Advogado, João Henrique Catan atua como deputado estadual na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, e é o candidato lançado pelo Partido Novo.
Seu plano de trabalho defende a redução de alíquotas de impostos estaduais, a simplificação e desburocratização dos processos de licenciamento ambiental para empreendedores, além da eficiência no uso dos recursos públicos.
Renato Gomes é economista e consultor com atuação no setor produtivo local. Representa a Democracia Cristã na corrida governamental, e sua plataforma foca na revisão técnica das contas do estado, no uso de indicadores econômicos para o planejamento orçamentário e no incentivo ao empreendedorismo no comércio e serviços.
Jeferson Bezerra é empresário em Mato Grosso do Sul, concorrendo ao Executivo estadual pelo partido Agir. Suas propostas concentram-se no incentivo ao primeiro emprego para jovens, no investimento em cursos de formação técnica regionalizados e na melhoria das estruturas das unidades básicas de saúde nos bairros periféricos.
Lucien Rezende é professor, pesquisador e ativista socioambiental. Ele disputa a eleição governamental pela Federação PSOL Rede.
A campanha defende a fiscalização ambiental rigorosa, a proteção dos biomas Pantanal e Cerrado, a garantia de direitos e demarcação de terras para populações indígenas e a expansão do investimento em educação e saúde pública.
Daniel Lemes é militante político do Partido da Causa Operária e atua nos movimentos de trabalhadores. Seu programa defende a valorização das carreiras públicas, a ampliação dos direitos trabalhistas e a participação de conselhos populares no acompanhamento da gestão dos serviços estaduais.
O agronegócio e a infraestrutura logística despontam como o centro dos debates eleitorais em Mato Grosso do Sul.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e estudos da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) mostram que o setor agropecuário responde por cerca de 96% das exportações totais do estado.
Outro ponto crucial das discussões é a consolidação do Corredor Bioceânico. A integração rodoviária ligando o porto fluvial de Porto Murtinho (MS) aos portos do Oceano Pacífico, no Chile, passando por Paraguai e Argentina, projeta o estado como um polo logístico estratégico na América do Sul.
Os candidatos ao governo do estado devem apresentar soluções para suportar esse fluxo de cargas, como o recapeamento de rodovias estaduais e a expansão da segurança nas cidades de fronteira.
A sustentabilidade ambiental e a preservação do Pantanal também ganham relevância central no debate eleitoral.
A aplicação da Lei do Pantanal (Lei Estadual nº 6.160/2023), construída em cooperação entre o governo estadual e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, exige que os programas de governo articulem o crescimento da produção agrícola com a conservação e a prevenção contra queimadas e desmatamentos no bioma.
A conciliação entre a expansão agropecuária e os direitos dos povos originários é outra pauta prioritária. Mato Grosso do Sul abriga uma expressiva população indígena.