Eleição Distrito Federal: Celina Leão disputa eleição com apoio de Ibaneis Rocha (Leandro Fonseca)
Colaboradora
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 15h09.
O Distrito Federal vai às urnas em 4 de outubro de 2026 para escolher, além do presidente da República, o próximo governador local. A disputa pelo Palácio do Buriti reúne dez candidatos, oficializados após o fim do prazo de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, em 15 de agosto.
A atual governadora, Celina Leão (PP), tenta a reeleição e lidera as pesquisas mais recentes. Seu principal adversário é o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que governou o DF entre 2007 e 2010.
Completam a lista Ricardo Cappelli (PSB), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (Novo), Samara Mineiro (UP), Professor Robson (PSTU), Elisson Ferreira (Agir) e Expedito Mendonça (PCO).
O atual governador Ibaneis Rocha (MDB) não pode concorrer, porque já cumpriu dois mandatos seguidos à frente do governo local, o limite permitido pela legislação eleitoral.
A eleição para o governo do DF, assim como as demais, é majoritária.
Para vencer já no primeiro turno, um candidato precisa somar mais de 50% dos votos válidos, sem contar brancos e nulos. Se ninguém atingir essa marca, os dois nomes mais votados vão para o segundo turno.
Diferente dos estados, o Distrito Federal não é dividido em municípios.
Toda a região, incluindo Brasília, é organizada em regiões administrativas, e é o governo do DF quem responde diretamente pelos serviços que normalmente ficariam a cargo de uma prefeitura, como limpeza urbana, iluminação pública e parte do transporte coletivo.
Isso quer dizer que quem vence a eleição para governador também assume, na prática, a gestão da capital federal.
O eleito soma essa responsabilidade às atribuições típicas de um governador de estado, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, além de elaborar o orçamento e nomear secretários.
Veja as principais propostas dos candidatos.
Administradora, de 49 anos, é a atual governadora em exercício. Já foi deputada distrital, presidiu a Câmara Legislativa do DF e atuou como deputada federal e vice-governadora antes de assumir o cargo. Sua coligação reúne PP, MDB, Republicanos, PL e outros sete partidos.
Na campanha, defende a continuidade dos programas da atual gestão e aponta a segurança e a saúde entre as prioridades.
Entre as propostas apresentadas, está a ampliação de casas de referência e abrigos para mulheres vítimas de violência, com atendimento psicológico, jurídico e social.
Engenheiro civil, de 72 anos, Arruda concorre pelo PSD, em aliança com o Avante.
Foi senador, deputado federal e governador do DF entre 2007 e 2010, mandato interrompido pelo escândalo conhecido como Operação Caixa de Pandora.
Sua campanha tem como bandeiras a construção de novos hospitais, a ampliação de linhas de metrô e críticas à atual gestão nas áreas de saúde e educação.
Arruda também citou o educador Anísio Teixeira, criador do modelo educacional de Brasília, para defender que a rede pública volte a ser referência nacional.
Professor e sociólogo, de 41 anos, foi deputado distrital entre 2019 e 2022 e presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de 2023 a 2026, cargo que deixou em abril para disputar a eleição. Sua candidatura tem o apoio da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e da Federação PSOL-Rede.
Grass promete reduzir as filas na saúde, ampliar vagas em creches e melhorar o transporte público, com foco em ouvir a população na construção das soluções.
Jornalista, de 54 anos, Cappelli foi interventor federal na Segurança Pública do DF em 2023, secretário-executivo do Ministério da Justiça e presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Sua campanha tem dois programas como carros-chefes: o "Fila Zero", com contratação emergencial de profissionais de saúde logo na primeira semana de um eventual mandato, e o "Tolerância Zero", voltado à segurança pública. Na mobilidade, promete garantir que o trabalhador do DF chegue de casa ao trabalho em até uma hora, com faixa exclusiva, BRT e ampliação do metrô.
Empresária, de 53 anos, Paula Belmonte foi deputada federal entre 2019 e 2022 e assumiu o mandato de deputada distrital em 2023. Concorre pela federação PSDB-Cidadania.
Ela tem o combate à corrupção como principal bandeira e defende a criação, já no primeiro dia de um eventual governo, de um gabinete voltado a esse tema.
Também propõe a digitalização da gestão pública e investimentos na estrutura das escolas, incluindo unidades preparadas para crianças atípicas.
Advogado, de 56 anos, Francisco Queiroz Caputo Neto, o Kiko Caputo, presidiu a seccional do DF da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) entre 2010 e 2012. É o candidato do partido Novo.
Sua campanha defende melhorias nos serviços públicos com foco em saúde, mobilidade urbana, regularização fundiária e segurança.
Professora da rede pública e geógrafa formada pela Universidade de Brasília (UnB), Samara Mineiro, de 32 anos, é a candidata da Unidade Popular (UP).
Começou a carreira como professora temporária na Secretaria de Educação do DF antes de se tornar servidora efetiva.
Ela propõe priorizar investimentos em saúde e educação e defende rever a distribuição de recursos do Fundo Constitucional do DF.
Robson Raymundo da Silva, o Professor Robson, é docente da rede pública do DF há mais de duas décadas, além de ativista sindical e militante do movimento negro.
É a segunda vez que concorre ao governo do DF, depois de já ter disputado em 2022.
A plataforma do PSTU defende a estatização integral do transporte público com implantação de tarifa zero e a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução de salários.
Jornalista e empresário, de 39 anos, Elisson Ferreira é natural de Taguatinga e disputa pela primeira vez um cargo eletivo. É o candidato do Agir.
Sua proposta coloca a saúde como prioridade e prevê a criação de painéis de transparência no Palácio do Buriti, para que a população acompanhe em tempo real os gastos e investimentos do governo. O plano também inclui investimentos em tecnologia, educação, segurança e mobilidade urbana.
Servidor público aposentado e dirigente sindical, de 65 anos, Expedito Mendonça é o candidato do Partido da Causa Operária (PCO).
Ele defende a estatização de setores como transporte, saúde e educação, além da recomposição salarial imediata dos servidores públicos.
Entre suas propostas estão a reestatização do controle de hospitais e escolas e o fim do modelo de gestão por fundações privadas na saúde.
Segundo pesquisa da Opinião Consultoria, divulgada em 5 de agosto e citada pelo Correio Braziliense, Celina Leão aparece na liderança, com 32,4% das intenções de voto. Arruda vem em segundo lugar, com 24%. Leandro Grass soma 9,8%, seguido por Cappelli, com 4,3%, e Paula Belmonte, com 3,5%.
Samara Mineiro tem 0,9%, Kiko Caputo, 0,8%, e Professor Robson, 0,5%. Outros 12,2% dos entrevistados afirmaram que não votariam em nenhum dos nomes apresentados, e 11,5% não souberam responder.
A campanha nas ruas começou oficialmente em 16 de agosto, com agendas que incluíram missas, caminhadas e visitas a feiras em diferentes regiões administrativas do DF.
Celina Leão passou por Taguatinga e Ceilândia, Arruda abriu a campanha com uma missa no SIA, e Cappelli e Paula Belmonte também iniciaram o dia em celebrações religiosas antes de percorrer a cidade.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato atinja mais de 50% dos votos válidos, um segundo turno acontece em 25 de outubro. Quem vencer assume o Palácio do Buriti no início de 2027, para um mandato de quatro anos.