Hoje, MEIs podem ter faturamento anual de até R$ 81 mil (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket /Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 24 de junho de 2026 às 09h07.
Última atualização em 24 de junho de 2026 às 09h09.
Milhões de microempreendedores individuais (MEIs) poderão ganhar uma nova oportunidade para regularizar dívidas com a Receita Federal. Em entrevista ao Globo, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que o governo prepara um programa de renegociação tributária que permitirá parcelar débitos em até 145 meses — pouco mais de 12 anos.
A iniciativa funcionará como uma espécie de Refis voltado aos MEIs e deve atender empreendedores que acumularam atrasos no pagamento do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) ou perderam o enquadramento no regime por inadimplência.
Segundo o ministro, entre 3 milhões e 4 milhões de microempreendedores podem ser beneficiados pela medida.
De acordo com Pereira, o governo trabalha em um modelo de transação tributária para dívidas de até R$ 20 mil.
A proposta prevê descontos que podem chegar a 70%, desde que o valor principal da dívida seja preservado. O parcelamento poderá ser feito em até 145 meses, com prestação mínima de R$ 25.
Para débitos inscritos há mais de um ano, a equipe econômica também avalia uma modalidade com desconto linear de 50% e parcelamento em até 60 meses.
Hoje, os parcelamentos disponíveis para MEIs costumam ter prazo de até dois anos e parcela mínima de R$ 50.
Segundo o ministro, o objetivo é permitir que empreendedores em situação irregular voltem a ter acesso aos benefícios do regime simplificado.
O programa faz parte de um conjunto de medidas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende apresentar para micro e pequenos negócios.
Entre elas está a proposta de ampliar o teto de faturamento do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.
Segundo Pereira, a mudança terá impacto estimado de R$ 4 bilhões em dois anos — R$ 2 bilhões em 2027 e outros R$ 2 bilhões em 2028.
Em entrevista ao Globo, o ministro afirmou que o aumento do limite não deverá ser acompanhado por medidas compensatórias de arrecadação.
“Não vamos trazer uma fonte alternativa de receita”, disse.
O ministro também indicou que o governo pretende discutir mudanças mais amplas no Simples Nacional nos próximos anos.
Segundo ele, o modelo atual produz distorções ao aplicar alíquotas semelhantes a negócios com estruturas de custos muito diferentes.
Pereira citou como exemplo a diferença entre pequenas indústrias, que possuem gastos relevantes com funcionários, energia e insumos, e profissionais liberais que faturam valores semelhantes, mas operam com custos menores.
A discussão deverá ocorrer paralelamente à adaptação do Simples às regras da reforma tributária.
Outra medida em estudo é a ampliação de um programa de bolsas voltado à formação de jovens empreendedores.
Segundo o ministro, o governo avalia expandir a iniciativa para cerca de dez mil estudantes, com impacto estimado em R$ 50 milhões.
A proposta busca estimular a criação de novos negócios sem substituir a formação universitária tradicional, afirmou Pereira ao Globo.
*Com O Globo