Lula: presidente brasileiro rebateu as acusações dos EUA de desmatamento (Ricardo Stuckert - Presidência da República)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 11 de junho de 2026 às 13h57.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta quinta-feira, 11, as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para defender a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Durante visita à sala de monitoramento do Observatório Regional Amazônico, em Brasília, o petista afirmou que o governo americano “mentiu” ao apontar o desmatamento como um dos motivos para adotar medidas comerciais contra o Brasil.
As declarações ocorreram durante a divulgação de novos dados de monitoramento ambiental, que apontam redução dos alertas de desmatamento tanto na Amazônia quanto no Cerrado.
CREDIBILIDADE | "Na questão ambiental, não tem no mundo ninguém que está levando a sério, como nós estamos levando. Hoje, temos muita credibilidade para discutir com qualquer país, com qualquer grupo econômico”, afirmou o presidente @LulaOficial. pic.twitter.com/fW1Sr4duHL
— CanalGov (@canalgov) June 11, 2026
Segundo números apresentados pelo governo federal com base no sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os alertas de desmatamento na Amazônia registraram queda de 61,4% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos dez meses entre agosto de 2025 e maio de 2026, a redução foi de 37,5%.
No Cerrado, os alertas recuaram 12,2% em maio na comparação anual. Considerando o período de dez meses, a queda acumulada foi de 8,2%.
Os dados são utilizados pelo governo para monitoramento em tempo real e para orientar ações de fiscalização e combate ao desmatamento.
Além dos números sobre desmatamento, o governo apresentou ações ambientais em andamento, como a retomada do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), investimentos do Fundo Amazônia para recuperação de áreas degradadas e a ampliação das operações de fiscalização conduzidas pelo Ibama e pelo ICMBio.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Fundo Amazônia acumula R$ 5,4 bilhões já comprometidos em projetos e outros R$ 2,9 bilhões em análise.
Ao comentar os números, Lula afirmou que Washington utilizou argumentos incorretos ao relacionar questões ambientais às tarifas sobre produtos brasileiros.
“Eles mentiram da primeira vez que taxaram o Brasil em 50% e agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento”, declarou o presidente.
Lula também disse que o combate ao desmatamento é uma decisão do governo brasileiro e não resultado de pressões internacionais.
“Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, afirmou.
Em outro momento, o presidente defendeu que o Brasil apresente dados para responder às críticas e comparou as políticas ambientais dos dois países. “A minha guerra é narrativa, é mostrar que nós estamos certos e vocês errados. Com o Brasil não é assim. Nós queremos civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países”, disse.
Segundo Lula, o governo pretende levar essas informações às autoridades americanas responsáveis pelas negociações comerciais.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou os resultados como históricos e afirmou que os números enfraquecem os argumentos apresentados pelos Estados Unidos.
“Põe por terra a acusação injusta e improcedente dos EUA, que incluiu o desmatamento como uma causa para justificar a imposição de tarifas”, declarou.
Capobianco afirmou ainda que o governo trabalha para alcançar os menores índices de desmatamento já registrados no país.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, também criticou as acusações contra o Brasil e afirmou que os dados demonstram avanços na política ambiental do governo federal.
As críticas brasileiras ocorrem após autoridades da administração do presidente americano, Donald Trump, defenderem novas tarifas sobre produtos brasileiros vendidos nos Estados Unidos. Entre os argumentos citados está a questão ambiental e o desmatamento.
A proposta, no entanto, ainda não entrou em vigor e depende de uma decisão direta de Trump. Enquanto isso, autoridades brasileiras seguem tentando negociar uma alternativa para evitar a adoção das novas tarifas.
Com informações do O Globo.