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Desmatamento na Amazônia cai 50% e atinge menor nível em 11 anos

Dados do Inpe divulgados nesta quinta-feira, 12, mostram queda pela metade desde 2022 e governo brasileiro comemora avanço rumo à meta climática

Zerar o desmatamento é peça-chave para o Brasil cumprir sua meta climática de reduzir até 67% as emissões (Per-Anders Pettersson/Getty Images)

Zerar o desmatamento é peça-chave para o Brasil cumprir sua meta climática de reduzir até 67% as emissões (Per-Anders Pettersson/Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 13h01.

Última atualização em 12 de fevereiro de 2026 às 15h06.

O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento da Amazônia Legal em 11 anos, somando 5.796 km² de floresta derrubados e uma queda de 50% em relação a 2022.

É o que apontam os dados divulgados nesta quinta-feira, 12, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os alertas do sistema deter monitoram a devastação quase em tempo real e indicaram uma redução adicional de 35% nos seis primeiros meses do ciclo 2025/2026.

Em coletiva de imprensa nesta manhã, 12, o governo brasileiro comemorou os números e disse que avalia que o país pode alcançar, ao fim do ciclo, a menor taxa anual de desmatamento desde o início da série em 1988.

“É uma oportunidade histórica. Se confirmada, será a maior contribuição individual como nação para o combate à crise climática e à perda de biodiversidade”, disse André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento do MMA.

Segundo as autoridades, o resultado é fruto do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), que mobiliza 19 ministérios e combina ações de[grifar] fiscalização, ordenamento territorial, estímulo à produção sustentável e bloqueio de crédito a áreas ilegais.

Desde 2022, as operações de fiscalização cresceram 148%, enquanto a abordagem de veículos aumentou 110%. Já as apreensões de minérios e garimpeiros subiram 170% e as de madeira, 65%. Também houve avanço no uso de embargos remotos, com crescimento de 51% nas áreas embargadas pelo Ibama.

“Não é só comando e controle. É assistência técnica, regularização fundiária, pagamento por serviços ambientais, crédito limpo e governança local. Essa combinação explica a queda consistente”, explicou André Lima.

Um dos principais motores da redução foi o programa União com Municípios, que envolve os 80 municípios amazônicos que mais desmatam. Desses, 70 já aderiram, recebendo equipamentos, capacitação técnica, drones, acesso a dados em tempo real e recursos do Fundo Amazônia.

Nessas cidades, a queda no desmatamento chegou a 65,5% entre 2022 e 2025, índice 31% maior do que a média da Amazônia Legal.

O coordenador do monitoramento do Inpe, Claudio Almeida, destacou o papel da tecnologia no acompanhamento quase diário da devastação.

“O Deter nos permite agir rapidamente. Hoje, temos imagens novas todos os dias, cobrindo mais de 75% do território brasileiro. Isso transforma ciência em política pública”, destacou.

O especialista alertou, no entanto, para o avanço da degradação florestal causada por incêndios recorrentes e estresse climático, um fenômeno que nem sempre aparece como corte raso.

“A floresta sofre com secas mais intensas, aumento da temperatura e fogo sucessivo. Mesmo sem desmatamento direto, há colapso ecológico. Controlar a degradação é o próximo grande desafio”, acrescentou.

Fundo Amazônia volta a investir

Outro destaque foi a retomada do Fundo Amazônia, que acumulou R$ 3,6 bilhões em investimentos nos últimos três anos, um valor quatro vezes superior à média da década anterior.

Os recursos financiam ações de fiscalização, regularização ambiental, ordenamento territorial, bioeconomia e recuperação de áreas degradadas.

Paralelamente, novas normas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional (CMN) passaram a bloquear o crédito rural em áreas com desmatamento ilegal, cortando o fluxo financeiro de atividades irregulares.

“Mais de 16 mil operações de crédito foram bloqueadas nos últimos dois anos. O dinheiro agora flui para quem produz dentro da lei”, afirmou André Lima.

Cerrado também interrompe ciclo de alta

No bioma Cerrado, o desmatamento caiu para 7.235 km² em 2025, uma redução de 32,3% em relação a 2022 e a segunda queda consecutiva após cinco anos seguidos de alta.

Segundo o Inpe, os alertas mais recentes também apontam nova redução em 2026, o que indica uma possível inflexão estrutural na curva de devastação do bioma, historicamente pressionado pela expansão agropecuária.

Meta climática brasileira estabelece desmatamento zero

A ministra Marina Silva reforçou que a meta de desmatamento zero até 2030 é uma política de Estado e parte central da estratégia climática brasileira para alcançar a redução de até 67% das emissões até 2035 conforme estabelecido pela Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). 

“O Brasil é hoje o único país que tem planos de combate para todos os biomas. Isso é resultado de governança, ciência e vontade política”, afirmou a ministra.

Segundo Marina, a queda do desmatamento ocorre em paralelo ao crescimento econômico: “O agronegócio cresceu, novos mercados foram abertos e mostramos que é possível conciliar produção e proteção ambiental.

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