Redação Exame
Publicado em 23 de agosto de 2026 às 20h16.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista exclusiva à Record neste domingo, 23, que a comunicação direta com Donald Trump é positiva, mas afirmou que decisões tomadas por outros integrantes do governo americano acabam dificultando as relações entre Brasil e Estados Unidos.
"Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu, às vezes, tenho a impressão de que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria. Eu disse para ele: 'Não é possível. Nós conversamos, tudo vai bem'. A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil", disse Lula à Record.
Além disso, o presidente disse que trata com "muita seriedade" as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Lula disse que não cabe a ele atuar como juiz, procurador ou delegado nos casos, mas garantir que as instituições possam trabalhar e que todos ajam corretamente.
Ao comentar as suspeitas, o presidente afirmou que ninguém está acima da lei, inclusive seu próprio filho. Lula também disse que orienta Lulinha a se defender das acusações e apresentar sua versão dos fatos."Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado", afirmou. "Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está [acima da lei] se cometer erro", acrescentou.
O presidente afirmou que não interfere no andamento das apurações e que seu papel é assegurar o funcionamento das instituições. Segundo Lula, eventuais responsáveis por irregularidades devem responder por seus atos.
"Não sou eu que tenho que julgar, não sou eu que tenho que investigar. Eu tenho que garantir que as instituições funcionem", disse.
As investigações citadas envolvem Lulinha e Marcola. O presidente afirmou que ambos devem ter o direito de apresentar suas defesas e provar sua inocência, caso não tenham cometido irregularidades.