Correios: Lula disse que a estatal não se adaptou aos 'novos tempos' e que perdeu espaço para outras empresas de logística (Eduardo Frazão/Exame)
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 21h51.
Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 22h09.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 27, que não vai privatizar os Correios em um eventual quarto mandato, e prometeu que vai recuperar a empresa.
Lula disse que os Correios "não se adaptaram aos novos tempos" e que perderam espaço para outras empresas de logística, mas defendeu o seu papel estratégico pela capilaridade em sua rede de serviços no interior do país. As declarações foram dadas em sabatina do presidente ao Jornal Nacional, da TV Globo.
"Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos. Com empresa brasileira, estrangeira, porque a gente quer é um Correios prestando serviço" disse Lula. O presidente também afirmou que desde 1985 "o correio brasileiro vive em crise" e que a proposta de privatização é recorrente.
Quanto ao plano de recuperação, o petista disse que a nova administração da estatal "está com a responsabilidade de fazer o enxugamento necessário nas contas", dado o déficit bilionário do serviço postal.
A estatal, porém, atravessa uma crise financeira. Os Correios são atualmente a empresa que mais contribui para o déficit das estatais federais não dependentes.
Em junho de 2026, o conjunto dessas empresas registrava déficit de R$ 1,5 bilhão, segundo dados do Banco Central.
A redução do uso de serviços postais tradicionais, com a substituição de cartas e documentos por meios digitais, afetou uma das principais fontes de receita da empresa. Outro fator é a redução do chamado subsídio cruzado, mecanismo pelo qual operações mais rentáveis em grandes centros ajudavam a financiar a prestação de serviços em localidades remotas. Com o avanço da concorrência privada nas maiores cidades, essa fonte de recursos diminuiu.
A estatal também colocou em prática um plano de reestruturação, com medidas como programas de desligamento voluntário, venda de imóveis e reorganização administrativa.