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Linha 7-Rubi deixa CPTM e passa a ser operada pela TIC Trens nesta quarta

Concessionária que venceu o leilão em 2024 assume linha e começará obras de modernização em 2026

Linha 7-Rubi: concessionária assume a operação de linha que liga Jundiaí a Barra Funda (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Linha 7-Rubi: concessionária assume a operação de linha que liga Jundiaí a Barra Funda (Rovena Rosa/Agência Brasil)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 26 de novembro de 2025 às 05h26.

Última atualização em 26 de novembro de 2025 às 05h28.

A concessionária TIC Trens assume integralmente a operação da Linha 7-Rubi a partir desta quarta-feira, 26. Com isso, o ramal deixa de fazer parte das linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) .

O governo de São Paulo considera essa fase essencial para a implementação do TIC (Trem Intercidades) entre São Paulo e Campinas. Por se tratar de uma Parceria Público-Privada, a gestão estadual investirá R$ 9,5 bilhões no empreendimento.

“A modernização da Linha-7 é etapa fundamental para o TIC Eixo Norte, que dá início à modernização da mobilidade em São Paulo, beneficiando diretamente as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Jundiaí. A concessão garante investimentos, inovação e mais qualidade, afetando de maneira efetiva os passageiros, que terão à disposição serviços eficientes e modernos que vão impactar sua qualidade de vida graças à diminuição significativa do tempo de deslocamento”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas à EXAME.

A modernização da linha, que tem 57 quilômetros de extensão entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Jundiaí, é a base operacional dos três serviços da concessão, que vão compartilhar a mesma infraestrutura ferroviária.

Além de assumir a manutenção e a administração, a concessionária também passa a administrar o plano de segregação de cargas na Linha 7-Rubi com a MRS, responsável pelo transporte de cargas no trecho.

Em maio de 2026, a concessionária dará início às obras de modernização, com atualização das estações, revitalização da via permanente e da rede aérea, além da substituição dos sistemas de comunicação, sinalização e energia. As obras do novo TIC também vão começar em maio de 2026.

Após as melhorias, o contrato prevê viagens com intervalos de aproximadamente 4 minutos nos horários de pico. A concessionária também realizará a readequação da frota atual, que conta com 30 trens da série 9500, cada um com oito carros.

Entre as obras estratégicas sob responsabilidade da concessionária está a modernização e ampliação da estação Água Branca, que se tornará um dos principais hubs de mobilidade do estado.

Ali, serão interligadas as Linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, de trens metropolitanos; a Linha 6-Laranja, de metrô; além do TIC Eixo Norte e do futuro TIC Eixo Oeste, que ligará a capital à região de Sorocaba.

A Linha 7-Rubi conta com 17 estações e tempo médio de viagem de 61 minutos por sentido. Atualmente, registra cerca de 400 mil entradas de passageiros diariamente em cada uma das estações, número que deve chegar a 448 mil em 2040.

Plano para evitar transtornos

Em entrevista ao videocast EXAME INFRA, Pedro Moro, CEO da TIC Trens, afirmou que mudará a lógica de comunicação com os usuários durante as obras.

Hoje, durante as obras que normalmente ocorrem aos finais de semanas, as concessionárias, a CPTM e o Metrô apenas informam os passageiros o tempo de intervalo maior entre os trens, que pode variar de 30 minutos até 45 minutos.

A ideia da TIC é informar o horário exato ou aproximado que o trem estará nas estações durante obras que façam a linha 7-Rubi circular com uma via única entre dois trechos.

Além das melhorias das estações do ramal, o trem intercidades terá um trecho que conversará com o traçado da linha 7-Rubi. Por isso, será necessário fazer a obra enquanto a operação da linha segue em operação. A previsão é que as obras a partir de Jundiai comecem a partir de 2027. 

"Ao invés de comunicador o tempo de intervalo, vamos avisar que o trem vai passar às 8h35 ou 9h05, e na outra estação as 9h10. Ou se não conseguir informar o horário exato, pelo menos vamos falar que entre 9h35 e 9h38 o seu trem estará nessa estação", afirmou.

Transição

A fase de pré-operação da transição entre a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a TIC Trens ocorreu entre dezembro de 2024 e agosto de 2025. Nesse período, a CPTM manteve a operação e a manutenção da linha, enquanto capacitou e treinou os colaboradores da concessionária. As atividades, concluídas em março, combinaram aulas teóricas e práticas em campo, com o objetivo de garantir uma transição segura, minimizar impactos e assegurar a autonomia operacional da TIC Trens.

Em 28 de agosto, teve início a prática operacional supervisionada, na qual a TIC Trens passou a operar a linha sob orientação da CPTM. Durante os primeiros seis meses de operação, a concessionária tem obrigação contratual de manter parte da mão de obra da companhia estatal.

Leilão

O leilão da concessão ocorreu em fevereiro de 2024 e foi vencido pelo único proponente, o Consórcio C2, formado pelo Grupo Comporte e pela estatal chinesa CRRC. O consórcio, que constituiu em maio daquele ano a TIC Trens, ofereceu um desconto de 0,01% sobre o valor máximo da contraprestação estadual. No total, o TIC Eixo Norte vai receber o investimento de R$ 16,85 bilhões.

O TIC terá cerca de 100 quilômetros de extensão, oferecendo um serviço expresso entre a Estação Barra Funda e Campinas, com parada em Jundiaí. A viagem terá duração de 64 minutos e será atendida por 15 trens. Já o TIM terá sete trens para cobrir um percurso de 44 quilômetros, com 33 minutos de tempo de viagem.

As obras da Linha-7 e do serviço expresso (TIC) devem ser concluídas em abril de 2031. Já as obras do TIM têm entrega prevista para maio de 2029. O contrato tem duração de 30 anos.

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