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Após dar palavra a Lula, JHC muda de ideia e sinaliza disputar o governo de Alagoas

Ex-prefeito de Maceió deve manter candidatura ao Palácio República dos Palmares; desenho da chapa prevê Marina Candia e Arthur Lira na disputa pelas duas vagas ao Senado

JHC: entre idas e vindas, ex-prefeito deve mudar de ideia novamente  (Wikipedia/Reprodução)

JHC: entre idas e vindas, ex-prefeito deve mudar de ideia novamente (Wikipedia/Reprodução)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 15 de agosto de 2026 às 13h15.

O ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, mudou de ideia e deve disputar o governo de Alagoas, segundo aliados ouvidos pela EXAME.

A decisão ocorre após uma aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem havia sinalizado que poderia deixar a corrida pelo Executivo estadual.

O desenho em discussão prevê ainda Marina Candia e e o ex-presidente da Câmera dos Deputados Arthur Lira como candidatos ao Senado na mesma chapa.

O nome do vice ainda não foi definido. O registro da candidatura deve ocorrer até às 19h deste sábado.

A mudança mantém JHC na disputa direta contra Renan Filho (MDB), seu principal adversário na corrida pelo Palácio República dos Palmares. Antes da nova decisão, JHC avaliava abrir mão da candidatura ao governo e concorrer a uma das duas vagas ao Senado por Alagoas.

Esse movimento abriria caminho para Renan Filho, integrante da família Calheiros e aliado de Lula, na disputa pelo governo. Ao mesmo tempo, colocaria JHC em confronto direto por uma vaga no Senado com aliados de seu próprio campo político.

Com JHC novamente direcionado para a disputa pelo governo, a composição discutida preserva Marina e Lira na corrida pelas duas cadeiras de Alagoas no Senado.

JHC liderava a disputa pelo governo de Alagoas. Segundo levantamento do Instituto Ranking divulgado em 14 de julho, o ex-prefeito aparece com 47% das intenções de voto no primeiro turno estimulado, contra 38% de Renan Filho.

Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, JHC registra 48%, enquanto Renan Filho aparece com 39%. Os números colocam o ex-prefeito à frente do emedebista tanto no cenário de primeiro turno quanto na simulação de confronto direto apresentada pelo instituto.

A possibilidade de JHC trocar a candidatura ao governo por uma disputa ao Senado também alterava a correlação de forças entre os candidatos à Casa. Em um dos cenários do Instituto Ranking que incluía seu nome, o ex-prefeito liderava com 49% das intenções de voto, seguido por Renan Calheiros (MDB), com 35%.

Na sequência apareciam Alfredo Gaspar (PL), com 27%, e Arthur Lira, com 21%. Gaspar deixou a disputa ao Senado para concorrer à vice-presidência da República na chapa de Flávio Bolsonaro.

Em outro cenário do levantamento, sem JHC, Renan Calheiros registrava 33%, Gaspar aparecia com 27%, Marina tinha 25% e Lira, 23%. A eventual entrada do ex-prefeito na disputa pelo Senado, portanto, adicionaria um candidato que já aparecia na liderança da pesquisa a uma corrida na qual duas vagas estão em jogo.

Aproximação com Lula ocorreu em meio ao caso Master

A movimentação política de JHC ocorreu também em meio às investigações sobre aplicações do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master.

Na última segunda-feira, 10, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram uma operação para investigar supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do instituto. As operações financeiras ocorreram durante a gestão de JHC na Prefeitura de Maceió.

Oito mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo.

Entre os alvos está João Felipe Alves Borges, secretário de Fazenda de Maceió nomeado por JHC e integrante do Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos investigados.

Também são investigados Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev; Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do instituto; Renan Foglia Calamia, dirigente da consultoria Crédito & Mercado; Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda; e Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

No mesmo dia da operação, JHC foi a Brasília para um encontro com Lula fora da agenda oficial, segundo informação do jornal O Globo. O ex-prefeito voltou à capital federal na quinta-feira, 13.

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