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Morre irmão de Leide das Neves, símbolo do acidente com Césio-137 em Goiânia

Lucimar das Neves Ferreira, que também foi vítima da contaminação em 1987, foi encontrado morto em Aparecida de Goiânia; causa da morte não foi divulgada

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 26 de julho de 2026 às 14h35.

Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves, criança que se tornou símbolo do acidente com o Césio-137 em Goiânia, morreu neste sábado, 25, aos 52 anos. A informação foi confirmada pela família. Ele foi encontrado morto na Cidade Satélite, em Aparecida de Goiânia. A causa da morte não foi divulgada.

Lucimar tinha 14 anos quando também foi contaminado no maior acidente radiológico da história ocorrido fora de uma usina nuclear, em setembro de 1987. Sua irmã, Leide, de seis anos, foi uma das quatro vítimas fatais da tragédia e se tornou o principal símbolo do desastre.

O velório está previsto para a manhã deste domingo, 26, em Abadia de Goiás.

Presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), Marcelo Santos Neves afirmou que a morte de Lucimar faz reviver as lembranças do acidente e das perdas enfrentadas pela família.

"A gente relembra todas as mazelas que esse acidente trouxe. Agora, temos que dar o máximo de apoio possível porque vai ser muito dolorido. Por mais que ela [Lourdes das Neves] já esteja calejada com essas dores pela perda da filha, agora perde também o filho", disse em entrevista ao portal G1.

Marcelo contou que conheceu Lucimar ainda na época do acidente e lembrou da convivência entre os dois durante o período mais crítico da tragédia.

Relembre o acidente com o Césio-137

O acidente ocorreu em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores retiraram um aparelho de radioterapia de uma clínica abandonada em Goiânia. O equipamento foi desmontado em um ferro-velho, onde foi encontrada uma cápsula contendo Césio-137, material altamente radioativo.

Sem conhecer os riscos, moradores manipularam e compartilharam o pó radioativo, que chamou atenção por emitir um brilho azulado no escuro. A contaminação provocou a morte de quatro pessoas e afetou mais de mil moradores, tornando-se o maior acidente radiológico da história fora de uma usina nuclear.

Leide das Neves, então com seis anos, morreu semanas após a exposição à radiação e passou a representar uma das faces mais conhecidas da tragédia. Seu irmão, Lucimar, também esteve entre as vítimas contaminadas pelo acidente.

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