Brasil

Foco em mulheres, segurança pública e menções a Deus: os recados de Lula no ato inicial da campanha

Presidente prometeu prender criminosos que 'se acham donos da favela'

O presidente Lula, o vice, Geraldo Alckmin e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, junto à primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja; Ana Estela Haddad; e Lu Alckmin (Ivan Martínez-Vargas/EXAME)

O presidente Lula, o vice, Geraldo Alckmin e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, junto à primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja; Ana Estela Haddad; e Lu Alckmin (Ivan Martínez-Vargas/EXAME)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 16 de agosto de 2026 às 13h35.

Última atualização em 16 de agosto de 2026 às 13h57.

Priorizar nos meus resultados Google

O ato inaugural da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizado no estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), foi marcado por acenos às mulheres, promessas de combate ao crime organizado e pedidos para que a militância defenda as entregas do governo por meio de comparações com a gestão de Jair Bolsonaro na Presidência da República.

O presidente voltou a prometer a criação do Ministério da Segurança Pública caso o Congresso aprove a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que tramita no Senado. Lula citou que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) enviou o texto à Comissão de Constituição e Justiça da Casa, em aceno ao presidente do Senado dias após ambos encerrarem uma crise desencadeada quando da rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

Segurança pública

"Se for aprovada a PEC da Segurança Pública que o Alcolumbre mandou para a comissão ontem, vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir a responsabilidade (sobre a segurança pública) com os estados. Vamos libertar o povo prendendo todo o mundo que acha que é dono da favela ou de uma comunidade mais pobre".

O tema da segurança pública é tido como um dos principais da campanha e Lula sinalizou que vai buscar explorar a atuação da Polícia Federal em seu governo contra o crime "no andar de cima", a exemplo da operação Compliance Zero, que prendeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e da Carbono Oculto, que busca desarticular fintechs que dariam apoio ao crime organizado.

O evento teve a carga simbólica de ser realizado no mesmo estádio onde um jovem Lula, aos 33 anos, liderou a histórica assembleia que decidiu pela greve geral dos metalúrgicos em 13 de março de 1979, em plena ditadura militar. O presidente reencontrou lideranças sindicais com as quais militou há 47 anos, mas escolheu priorizar, em sua fala deste domingo, o público feminino.

Acenos às mulheres

"Obrigado a cada mulher de todos os estados do país, do Oiapoque ao Chuí; muito obrigado a cada trabalhador que teve a coragem de levantar e, no dia da eleição, escolher um operário para governar este país", disse Lula.

O presidente voltou a prometer que, em um novo governo, vai remodelar o currículo do ensino básico para que incorpore conteúdo contra a violência contra as mulheres.

A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), abriram os discursos do comício, em contraste com a convenção nacional do PT realizada em 3 de agosto em São Paulo. Na ocasião, Lula criticou a ausência de discursos de mulheres e, de improviso, chamou Janja para falar. Também discursaram o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT).

Desta vez, Janja exaltou, em seu discurso, o papel da ex-primeira-dama Marisa Letícia na formação do PT. A declaração chamou a atenção de parte da militância porque Janja raramente faz menção a dona Marisa.

"Mulheres lideradas por dona Marisa foram uma força importante (nos atos sindicais dos anos 1980) e são pouco lembradas. Sem a presença delas, talvez essa história toda tivesse sido diferente. Foi ela quem bordou a primeira estrela do PT e a ela que eu dedico toda a minha admiração", afirmou Janja.

A primeira-dama disse ainda que o eleitorado feminino será responsável pela reeleição de Lula.

"Nós, as mulheres, somos a maioria da população, a maioria do eleitorado, somos as guardiãs da democracia. Como em 2022, somos nós, as mulheres deste Brasil, que iremos te eleger novamente", afirmou Janja.

Defesa do governo

Lula discursou por cerca de 35 minutos e, ao final, pediu empenho à militância para defender o que o presidente considera suas principais entregas. Ele voltou a dizer que quer fazer comparações com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Quero que cada militante nosso compare o que nós fizemos e o que outros fizeram. Vocês têm de estar preparados. O partido (PT) tem a obrigação de passar para vocês as informações", disse Lula. O presidente citou crescimento do PIB, queda do desemprego e da inflação e a situação fiscal como eventuais trunfos de seu governo na comparação com o do antecessor.

Lula também voltou a dizer que, em um eventual quarto mandato, quer fomentar o desenvolvimento de uma indústria nacional para a exploração e o beneficiamento de minerais críticos e terras raras, elementos essenciais para a transição energética. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo.

"Não temos opção pela China, nem pelos Estados Unidos. Queremos saber como produzir chips e baterias. Não queremos exportar o material bruto para depois comprar os produtos deles", disse Lula. Os dois países protagonizam uma disputa geopolítica pelo controle de reservas minerais.

Acompanhe tudo sobre:Luiz Inácio Lula da SilvaEleições 2026

Mais de Brasil

Em evento com Lula, Fachin pede fim do inquérito das fake news e adoção do código de ética no STF

Agregador Inteligov/EXAME: Lyra abre vantagem de três pontos sobre Campos em Pernambuco

Quem são os candidatos nas eleições 2026? EXAME lança plataforma com dados do TSE

Fachin tira pedido de Moraes contra Mendonça do inquérito das fake news e leva caso à Presidência