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Após conversa com Lula, Jaques Wagner confirma sua permanência na liderança do governo do Senado

O presidente manifestou apoio após o senador se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal

Senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado (Edilson Rodrigues/Agência Senado/Flickr)

Senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado (Edilson Rodrigues/Agência Senado/Flickr)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 18 de junho de 2026 às 17h49.

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O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quinta-feira que permanecerá na liderança do governo no Senado enquanto não houver determinação em contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o parlamentar, o presidente entrou em contato para manifestar apoio após a operação da Polícia Federal que teve Wagner como alvo.

Durante entrevista à BandNews, o senador declarou que sua permanência no cargo depende exclusivamente da decisão do chefe do Executivo.

"Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema", disse.

Wagner também informou que manterá sua candidatura à reeleição para o Senado.

Operação Compliance Zero

Na manhã desta quinta-feira, o parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de favorecimento a interesses do Banco Master.

De acordo com a PF, Wagner teria sido o principal beneficiário de vantagens econômicas atribuídas a integrantes da instituição financeira. Entre os benefícios citados pelos investigadores estão pagamentos relacionados a um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, utilização de aeronaves vinculadas ao banco e acesso a um camarote durante um show internacional em Los Angeles, com custo estimado em R$ 63,3 mil.

A apuração aponta que a ligação do senador com o caso ocorre por meio do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que também foi alvo da operação.

Os investigadores mencionam uma troca de mensagens na qual Wagner encaminha a Lima informações sobre um imóvel de interesse na capital baiana. "A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões", escreveu ele. A mensagem tem data de novembro de 2024.

Ao comentar o caso, o senador negou ter recebido recursos do Banco Master.

"Nunca recebi de dinheiro de ninguém, muito menos do Master e do Augusto Lima".

Ele também rejeitou irregularidades na negociação envolvendo o imóvel.

" Sobre o apartamento, na verdade é um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: 'pode comprar? Depois eu vou recomprar'"

Desde que surgiram as investigações envolvendo o Banco Master, Jaques Wagner tem negado qualquer participação nas irregularidades atribuídas à instituição. Em fevereiro deste ano, o próprio senador classificou o caso como um esquema de “falcatruas”.

A Polícia Federal também apontou indícios de atuação do parlamentar em temas de interesse do banco. Entre eles estariam articulações junto ao governo para viabilizar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e apoio, no Senado, à tramitação de uma proposta apelidada de “emenda Master”.

Apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), a medida previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

Jaques Wagner ocupa a liderança do governo no Senado desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em administrações anteriores do PT, exerceu funções como ministro da Casa Civil, da Defesa e da Secretaria de Relações Institucionais.

*Com informações da Agência O Globo.

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