(José Cruz/Agência Brasil)
Repórter
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 17h00.
Última atualização em 5 de agosto de 2026 às 20h53.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) registrou, em 2025, os melhores resultados desde que a série histórica começou a ser medida, em 2005.
Segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 5, pelo Ministério da Educação (MEC), com base em levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o índice avançou em todas as etapas avaliadas, do ensino fundamental ao ensino médio, na comparação com 2023.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota do Brasil passou de 6 para 6,3, numa escala que vai de 0 a 10. Nos anos finais dessa mesma etapa, a alta foi de 5 para 5,3. Já no ensino médio, o Ideb subiu de 4,3 para 4,5.
Na rede pública, isoladamente, o desempenho também melhorou: de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais, de 4,7 para 5 nos anos finais e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.
De acordo com o MEC, essa foi a maior evolução acumulada do indicador em duas décadas.
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, o dado é um sinal importante de recuperação e fortalecimento das redes de ensino. De todo modo, é também uma oportunidade para olhar com atenção onde os desafios permanecem.
"Embora todas as etapas tenham avançado, os anos finais do ensino fundamental continuam sendo o elo mais sensível dessa trajetória e precisam ocupar um lugar cada vez mais prioritário nas políticas públicas, para que os ganhos conquistados nos primeiros anos não se percam ao longo da escolarização", diz.
O avanço não se restringiu à média nacional. Nos anos iniciais do fundamental, todas as 27 unidades da federação tiveram resultado superior ao de 2023. Nos anos finais, a melhora foi registrada em 24 estados, enquanto dois ficaram estáveis e um recuou. No ensino médio, o Ideb subiu em 23 estados, ficou estável em três e caiu em um.
O levantamento de 2025 cobriu 14,5 milhões de matrículas em 101 mil escolas nos anos iniciais do fundamental, 11,2 milhões de matrículas em 61 mil escolas nos anos finais e 7,3 milhões de matrículas em 30 mil escolas no ensino médio.
O Ideb é calculado cruzando o desempenho dos alunos em língua portuguesa e matemática, medido pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), com as taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar. Os dois componentes andaram na mesma direção.
No 5º ano do ensino fundamental, numa escala de 0 a 500, a proficiência em português subiu de 207,6 para 215,1 pontos entre 2023 e 2025, e em matemática, de 218,3 para 227,4. No 9º ano, o avanço foi de 252,9 para 256,6 em português e de 249,9 para 255,3 em matemática. No 3º ano do ensino médio, português foi de 269,1 para 272,3 e matemática, de 263,9 para 268.
Considerando toda a rede estadual, incluindo o ensino médio integrado à educação profissional e tecnológica, o desempenho em português no 3º ano passou de 271,7 para 275,8, e em matemática, de 267,3 para 271,4.
O Saeb 2025 avaliou 5,9 milhões de alunos em 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas em todo o país.
Criado em 2007 no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação, o Ideb é um dos indicadores usados para monitorar as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), cuja vigência foi prorrogada até 31 de dezembro de 2025.
O índice varia de 0 a 10 e combina indicadores de fluxo escolar e de desempenho dos estudantes. Essa metodologia permite analisar informações sobre aprovação e aprendizagem, considerando que alterações em um desses componentes influenciam o resultado do indicador.
Os resultados do Ideb são utilizados para o acompanhamento e a análise de indicadores da educação básica, conforme a metodologia estabelecida para o índice.
Já o Saeb, criado em 1990, é aplicado bienalmente e reúne testes e questionários que também captam fatores contextuais do processo educacional, além do desempenho dos estudantes.
A média do desempenho no Saeb (Nota Média Padronizada - N) é multiplicada pela média harmônica das taxas de aprovação (Indicador de Rendimento - P) das séries de cada etapa avaliada (anos iniciais, anos finais e ensino médio):
Ideb = N × P