Correios em greve: após 15 dias, serviço retoma seu funcionamento normal (Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 11h53.
Os trabalhadores dos Correios, estatal de serviços postais, encerraram na quinta-feira, 24, a greve iniciada em 10 de setembro, após 15 dias de paralisação. O TST considerou o movimento não abusivo, determinou a compensação dos dias parados e fixou reajuste salarial de 4,09%. O plano de saúde permanece como principal impasse entre a categoria e a empresa.
A greve dos trabalhadores dos Correios chegou ao fim após 15 dias. Em assembleias realizadas na noite desta quinta-feira, 24, a categoria aprovou o encerramento da paralisação e começou a retornar às atividades a partir das 22h, conforme a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
O tribunal considerou a greve não abusiva, rejeitou o pedido da estatal para aplicar multa de R$ 100 mil às entidades sindicais e determinou a compensação dos dias parados.
Também foi definido reajuste salarial de 4,09% e a manutenção de 73 cláusulas do acordo coletivo, segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (Sintect-SP).
A decisão encerra a paralisação iniciada em 10 de setembro, mas não elimina o principal conflito entre trabalhadores e empresa: o modelo do plano de saúde.
Em entrevista à EXAME, o secretário da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Emerson Marinho, afirmou que a entidade considera importante o reconhecimento, pelo TST, da legitimidade da greve, mas criticou o desfecho das negociações e a condução da empresa.
“A nossa federação lamenta essa postura” e “vai lutar para reconquistar esse direito”, afirmou Marinho, referindo-se ao plano de saúde e aos demais direitos discutidos durante o processo.
Segundo o sindicalista, o principal problema continua sendo a tentativa de mudança no plano de saúde, benefício que, segundo ele, faz parte da categoria há cerca de 40 anos.
Marinho também afirmou à EXAME que a federação pretende cobrar do governo Luiz Inácio Lula da Silva responsabilidade pela preservação dos direitos dos trabalhadores e continuará contestando o processo de reestruturação da estatal.
Correios em greve: funcionários do serviço postal protestam em frente ao Ministério de Portos e Aeroportos, em Brasília (Emerson Marinho / Cedida à)
A paralisação começou depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelos Correios nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho. O principal impasse era o plano de saúde oferecido a funcionários, aposentados e dependentes.
Os Correios defendem deixar de ser os mantenedores do benefício, mantendo o subsídio aos empregados. Segundo a empresa, a mudança reduziria o risco atuarial associado ao plano, que envolve provisões próximas de R$ 600 milhões.
Os trabalhadores, por sua vez, defendem a manutenção do modelo atual. Nas negociações, um dos pontos de consenso havia sido o reajuste salarial pelo INPC, inicialmente estimado em 4,35%, mas o TST definiu posteriormente índice de 4,09%.
O plano de saúde já era apontado como o principal obstáculo para o acordo.
Ao julgar o dissídio coletivo nesta quinta-feira, o TST concluiu, por maioria, que a paralisação não foi abusiva. A Corte também autorizou a compensação dos dias parados, em vez do desconto dos salários correspondentes ao período.
O presidente do tribunal, ministro Vieira de Mello Filho, afirmou que não ficou demonstrada a abusividade apontada pelos Correios e ressaltou a dimensão territorial da empresa e o direito constitucional de greve.
Durante a paralisação, o TST já havia determinado que 80% do efetivo dos Correios fosse mantido para garantir a continuidade dos serviços.
O tribunal também determinou o retorno dos trabalhadores a partir desta sexta-feira, 25. Em São Paulo, o sindicato orientou os funcionários a retomarem as atividades a partir das 22h de quinta-feira, mas afirmou que os critérios para a compensação ainda dependem do acórdão completo.
Durante a greve, os trabalhadores também paralisaram unidades operacionais e centros de tratamento. A estatal acionou um plano de continuidade de negócios, com remanejamento de veículos, mobilização de empregados administrativos e mutirões para tentar preservar o fluxo logístico.
A retomada das atividades deverá ocorrer gradualmente, conforme os trabalhadores retornem aos postos e os objetos acumulados durante a paralisação sejam processados.
O fim da greve ocorre em meio à crise financeira dos Correios. Em junho de 2026, a estatal registrava déficit de R$ 1,5 bilhão, segundo dados do Banco Central, e era a empresa que mais contribuía para o resultado negativo das estatais federais não dependentes.
A queda no uso dos serviços postais tradicionais e o avanço da concorrência privada pressionaram as receitas, enquanto a companhia passou a adotar medidas de reestruturação, incluindo programas de desligamento voluntário, venda de imóveis e reorganização administrativa.
A categoria, porém, contesta esse processo. Os sindicatos criticam medidas como o fechamento de agências e a redução de distritos postais e afirmam que os trabalhadores não podem ser responsabilizados pela situação financeira da empresa.
Os Correios também aguardam a definição de um empréstimo de R$ 7 bilhões de um grupo de bancos, com garantia da União. No fim de 2025, a empresa havia contratado outro empréstimo de R$ 12 bilhões nas mesmas condições.
Em sabatina ao Jornal Nacional, Lula afirmou que não pretende privatizar os Correios em um eventual quarto mandato. O presidente disse que a estatal “não se adaptou aos novos tempos”, mas defendeu sua importância estratégica.
“Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos. Com empresa brasileira, estrangeira, porque a gente quer é um Correios prestando serviço”, afirmou Lula.
O presidente também declarou que “desde 1985 o correio brasileiro vive em crise”. No início de seu mandato, em 2023, Lula retirou os Correios do Programa Nacional de Desestatização e do Programa de Parcerias de Investimentos.
Para os trabalhadores, porém, o encerramento da greve não encerra a disputa. Segundo Marinho, a Fentect continuará pressionando contra mudanças no plano de saúde e contra medidas do processo de reestruturação da empresa.
A greve dos Correios terminou na quinta-feira, 24, após 15 dias de paralisação. Em São Paulo, o sindicato orientou a retomada das atividades a partir das 22h, enquanto o TST determinou o retorno dos trabalhadores na sexta-feira, 25.
O TST considerou a greve não abusiva, rejeitou o pedido dos Correios para multar as entidades sindicais em R$ 100 mil e autorizou a compensação dos dias parados. Durante a paralisação, o tribunal também determinou a manutenção de 80% do efetivo.
O TST fixou reajuste salarial de 4,09% e manteve 73 cláusulas do acordo coletivo, segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo. Nas negociações, havia consenso sobre uma correção pelo INPC, inicialmente estimada em 4,35%.
Os trabalhadores entraram em greve após rejeitarem a proposta dos Correios para o Acordo Coletivo de Trabalho. O principal impasse era o modelo do plano de saúde oferecido a funcionários, aposentados e dependentes.
O modelo do plano de saúde ainda não foi definido e permanece como principal conflito entre os trabalhadores e os Correios. A estatal defende deixar de ser mantenedora do benefício, mas preservar o subsídio aos empregados, medida que, segundo a empresa, reduziria o risco atuarial associado a provisões próximas de R$ 600 milhões.
A retomada dos serviços deverá ocorrer de forma gradual, conforme os trabalhadores retornem aos postos e os objetos acumulados sejam processados. Durante a greve, os Correios remanejaram veículos, mobilizaram empregados administrativos e organizaram mutirões para preservar o fluxo logístico.