Presidente Lula: entorno do petista vê com preocupação resultado de pesquisa do Datafolha (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Redação Exame
Publicado em 11 de abril de 2026 às 17h29.
O entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou preocupação à pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 11. Segundo o jornal O Globo, há um entendimento que o escândalo do caso do banco Master possa ter atingido mais fortemente o governo do que a oposição.
O levantamento mostra o petista pela primeira vez numericamente abaixo do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto para a Presidência da República.
Os dois ainda estão empatados dentro da margem de erro, que é de dois pontos, como em levantamentos anteriores, mas Lula aparece com 45% contra 46% de Flávio em um cenário de segundo turno.
Os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) também aparecem empatados com o presidente em simulações de segundo turno. Caiado e Zema pontuam 42% contra 45% do petista.
Aliados do governo não escondem que os números trazem um cenário desafiador para a reeleição do presidente e indicam a competitividade de Flávio Bolsonaro na disputa, segundo O Globo. Ainda assim, o discurso adotado é que a pesquisa é uma “fotografia do momento” e que a realidade atual pode ser mudada.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, que fará parte do núcleo da campanha de reeleição de Lula, atribui as dificuldades às repercussões envolvendo o escândalo financeiro do banco Master.
"A pesquisa é uma fotografia do momento, e reflete o crescimento do sentimento antissistema, principalmente por conta das denúncias de corrupção que o país está vivendo. Aos olhos da sociedade, se existe corrupção, a responsabilidade é do governo, é das instituições, e o presidente da República é o maior líder institucional do país", disse.
Nos últimos dias, dados da Receita Federal recebidos pela CPI do Crime Organizado, do Senado, apontaram que os ex-ministros Ricardo Lewandowski e Guido Mantega, que trabalharam em diferentes gestões de Lula, e Bonnie Bonillha,nora do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), receberam pagamentos do Master por serviços efetuados ao banco.
Outros nomes, de oposição ao presidente Lula, como o ex-presidente Michel Temer (MDB), o pré-candidato a governador da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto, e Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom de Jair Bolsonaro, também apareceram na lista de pagamentos.
Há uma tentativa de tentar descolar o presidente do desgaste do escândalo financeiro.
"A nossa tarefa é deixar claro que quem está patrocinando a apuração de todas as denúncias, INSS, Master, é o presidente Lula. Se as denúncias estão sendo investigadas, é mérito do presidente Lula. E temos que continuar defendendo o legado do governo Lula; é o governo com maior entrega desde a redemocratização do Brasil. A verdade vai prevalecer, temos que trabalhar muito", afirmou Edinho.
No levantamento anterior feito pelo Datafolha e divulgado em março, Lula aparecia com 46% contra 43% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em um cenário de segundo turno.
Flávio era testado pela primeira vez àquela altura após ser escolhido como pré-candidato ao Palácio do Planalto com aval do pai.
Pela margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, ambos permanecem empatados tecnicamente na pesquisa divulgada hoje, mas com uma tendência de estagnação do petista e uma tendência de crescimento do senador do PL.
Para tentar evitar a derrota de Lula, o PT tenta calibrar uma estratégia para fazer uma campanha mais direta de críticas ao pré-candidato do PL.
Flávio Bolsonaro passou os primeiros meses do ano sem ser alvo de críticas contundentes do governo, mas a situação tem mudado.
A ideia inicial passava pela avaliação de que o senador do PL seria um melhor nome a ser enfrentado do que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como opção por partidos de direita e centro-direita.
Com o fim do período de desincompatibilização e a consequente impossibilidade de o governador de São Paulo disputar o Palácio do Planalto, governistas devem passar a focar mais os ataques em Flávio.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que é vice-líder do governo na Câmara, minimizou os resultados do Datafolha e disse que a campanha ainda não começou de verdade.
“Quando a campanha começar pra valer, a verdade vai vencer as fake news. Nós vamos mostrar o resultado do Lula da economia, mostrar que só o Lula se preocupa com a vida do povo brasileiro", disse. "Tenho certeza que essa candidatura do Flávio Bolsonaro não se sustenta, principalmente quando ele ficar frente à frente com um estadista, uma pessoa da estatura do presidente Lula”.
Do outro lado, os nomes da direita na disputa pelo Planalto comemoraram. “O nosso trabalho está só no começo. Até outubro, ainda temos um longo caminho e, se Deus quiser, vamos libertar o Brasil”, disse Flávio nas redes sociais.
O pré-candidato do PL também divulgou um vídeo ao lado de Zema e brincou sobre a possibilidade de ele ser candidato a vice do ex-governador de Minas.
Será?
Com @RomeuZema pic.twitter.com/bkwRfxnIOt
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) April 11, 2026
Zema tem sido cortejado pelo PL para ser vice de Flávio, mas publicamente reitera que não pretende recuar de ser cabeça de chapa.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também comemorou o resultado da pesquisa e comentou o cenário de primeiro turno.
“Em mais uma pesquisa, Caiado cresce e se consolida na terceira posição. O registro mais relevante na comparação com a pesquisa de março é que apenas dois candidatos crescem: Flávio (+2) com 35%, no segundo lugar; e Caiado (+1) com 5-%, ultrapassando Zema e assumindo a terceira posição”, afirmou.
Com Agência O Globo