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Governo Lula critica Flávio por não pedir fim de tarifaço e sugerir subordinar PIX aos EUA

Senador participou de audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA nesta terça-feira

Lula e Flávio Bolsonaro: o presidente brasileiro repudiou as afirmações do pré-candidato do PL (Divulgação/Exame)

Lula e Flávio Bolsonaro: o presidente brasileiro repudiou as afirmações do pré-candidato do PL (Divulgação/Exame)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 7 de julho de 2026 às 18h58.

Última atualização em 7 de julho de 2026 às 19h17.

O governo Lula afirmou em nota publicada nesta terça-feira, 7, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não se posicionou contrariamente ao tarifaço durante sua fala em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a possível imposição de duas novas tarifas - de 25% e 12,5% - a produtos brasileiros. O Planalto também afirmou que o senador "propõe subordinar o Pix aos interesses norte-americanos."

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o governo afirmou que "repudia a intervenção" do parlamentar e acusou Flávio de utilizar a audiência com "claro objetivo eleitoreiro".

"Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro", diz a nota do governo. O Itamaraty não se manifestou na audiência, mas enviou observadores da embaixada brasileira em Washington ao evento.

"Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país", afirmou a Presidência.

O que disse Flávio Bolsonaro

Durante a audiência em Washington, Flávio Bolsonaro pediu ao governo do presidente Donald Trump que não aplique a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Segundo o senador, a medida tem produzido efeito contrário ao pretendido pelos Estados Unidos.

"Cada tarifa adicional está beneficiando o governo que supostamente se pretende pressionar", afirmou.

Flávio argumentou que, em 2025, as tarifas fortaleceram politicamente o governo Lula, enquanto o comércio entre Brasil e China atingiu recorde de US$ 171 bilhões. Segundo ele, parte das exportações brasileiras deslocadas do mercado americano acabou sendo absorvida pelos chineses.

Ao final da exposição, o senador fez um apelo ao USTR: "Peço respeitosamente a este comitê que não imponha tarifas ao Brasil".

Na audiência, Flávio esteve acompanhado do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos.

Governo acusa senador de favorecer interesses estrangeiros

Na nota oficial, o governo também criticou outros pontos apresentados pelo senador durante sua manifestação.

Segundo a Presidência, Flávio defendeu a revogação de normas brasileiras voltadas ao combate à circulação de conteúdos criminosos e à violência contra mulheres no ambiente digital. O governo afirmou que essas medidas interessariam apenas a quem "lucra com o caos" ou precisa dele para cometer crimes.

O Planalto também acusou o parlamentar de omitir que o caso Master teve origem durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que os descontos ilegais contra aposentados e pensionistas do INSS também começaram na gestão anterior, sendo desarticulados apenas no atual governo, com atuação da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal.

Segundo a nota, embora Flávio tenha defendido o PIX na audiência, ele propôs subordinar o sistema de pagamentos brasileiro aos interesses norte-americanos.

Negociações seguem, diz Planalto

O governo informou que mantém negociações com os Estados Unidos desde julho de 2025 para tentar reverter as tarifas propostas pelo USTR.

De acordo com a Presidência, enquanto Flávio participava da audiência pública em Washington, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto realizavam reuniões técnicas com integrantes do USTR para tentar evitar a adoção das novas tarifas.

Ao encerrar a nota, o governo afirmou que há diferença entre fazer oposição ao governo e atuar contra os interesses nacionais.

"Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro", afirmou a Secretaria de Comunicação Social.

Entenda o caso da Seção 301

O governo dos Estados Unidos anunciou, em 1º de junho, que o Escritório do Representante Comercial (USTR) determinou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral, como parte da investigação aberta por meio da Seção 301, em julho de 2025.

Por conta disso, o USTR propôs que os EUA passem a cobrar do Brasil uma tarifa extra de 25%, com algumas exceções. A medida, no entanto, ainda não foi aplicada e há espaço para mais negociações. Uma decisão final sobre o caso será definida até 15 de julho.

Além disso, o Brasil é investigado em outro processo pela 301, junto com outros países, que investiga o uso de trabalhos forçados na produção. Caso o país seja considerado culpado neste caso, seria alvo de outra tarifa de 12,5%. As audiências públicas dessa ação começam na terça-feira, 7.

Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as novas tarifas que os Estados Unidos avaliam impor ao Brasil poderão afetar 4.187 produtos, que equivalem a US$ 14,9 bilhões anuais em exportações. Entre os produtos sob risco, há destaque para ferro-gusa, açúcar de cana, álcool etílico e tabaco curado.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões em mercadorias aos EUA. Em 2026, o total exportado até agora foi de US$ 17,4 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.

"O Representante Comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio", disse o USTR, no comunicado que anunciou a conclusão das investigações.

Ainda não foram anunciadas novas tarifas, mas a "proposição de ações corretivas para consulta pública, enquanto os Estados Unidos continuam a dialogar intensamente com o Brasil para buscar a resolução das preocupações americanas", disse o órgão.

Uma audiência sobre o tema foi iniciada nesta segunda-feira, 6, e é aberta a depoimentos de interessados em se posicionar contra ou a favor do país. Se os EUA mantiverem o entendimento de que o Brasil não adotou medidas corretivas, poderão implantar novas tarifas, além das que já estão em vigor.

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