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Flávio reduz pressão da direita com pauta de segurança após crise com Vorcaro

Apoiado por Tarcísio, Zema e Caiado, senador tenta transformar decisão dos EUA sobre PCC e CV em ativo para a disputa presidencial de 2026

Flávio Bolsonaro: senador atribui à articulação feita em Washington a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. (Andressa Anholete/Agência Senado/Flickr)

Flávio Bolsonaro: senador atribui à articulação feita em Washington a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. (Andressa Anholete/Agência Senado/Flickr)

Publicado em 1 de junho de 2026 às 07h45.

A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos deu novo impulso à pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Após semanas marcadas pelo desgaste provocado pela divulgação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o parlamentar passou a receber apoio público de aliados e até de potenciais rivais na disputa pelo Palácio do Planalto.

A decisão do governo de Donald Trump foi anunciada dois dias depois de uma reunião de Flávio na Casa Branca. O senador afirmou ter pedido pessoalmente que as facções brasileiras fossem enquadradas como grupos terroristas e tratou o anúncio como uma vitória política.

O episódio recolocou Flávio no centro do debate sobre segurança pública, uma das principais bandeiras da direita. O movimento também ajudou a reduzir a pressão gerada pela crise envolvendo Vorcaro, que havia levado parte dos aliados a adotar cautela em relação ao senador.

Apoio de Tarcísio, Zema e Caiado

Entre os apoios mais relevantes está o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Nas últimas semanas, ele vinha evitando defender publicamente Flávio no caso Master e chegou a afirmar que o senador deveria prestar esclarecimentos sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que retrata a campanha de Jair Bolsonaro em 2018.

A postura mudou após o anúncio americano. Tarcísio elogiou a atuação de Flávio e classificou a articulação como "firme e necessária".

"PCC e CV não são facções: são terroristas armados contra o povo brasileiro e com atuação além das nossas fronteiras", escreveu o governador nas redes sociais.

O reposicionamento também alcançou possíveis adversários na corrida presidencial. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que vinha fazendo críticas frequentes ao senador por causa do caso Vorcaro, elogiou a iniciativa e afirmou que "Flávio foi capaz de fazer aquilo que o Lula já deveria ter feito há muito tempo".

Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também endossou a medida dos Estados Unidos e disse que gostaria de ter adotado iniciativa semelhante caso estivesse na Presidência da República.

Segurança pública volta ao centro da pré-campanha

Aliados de Flávio avaliam que a decisão de Washington fortalece seu discurso de combate ao crime organizado e reforça a aproximação com o chamado trumpismo, estratégia vista como central para a disputa de 2026.

O Departamento de Estado americano informou que PCC e CV passarão a integrar as listas de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) e de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), com efeitos a partir de 5 de junho.

Segundo o governo americano, as duas facções possuem atuação transnacional e representam ameaça à segurança dos Estados Unidos e de países da América Latina.

*Com O Globo

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