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Empresas criam clientes fictícios para treinar IA e reduzir riscos com dados reais (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 17h48.
Treinar sistemas de inteligência artificial costuma exigir grandes volumes de dados. O problema aparece quando essas informações pertencem a clientes, funcionários ou parceiros e incluem dados pessoais ou estratégicos.
Uma alternativa é o uso de dados sintéticos. Eles são registros artificiais criados por algoritmos para reproduzir características e padrões encontrados em uma base real, sem representar necessariamente pessoas ou eventos que existiram.
Para quem trabalha com IA, a técnica pode ser usada para testar modelos, desenvolver produtos e simular cenários sem colocar toda a base original à disposição das equipes.
Imagine uma empresa que tenha milhares de registros de compras. Em vez de entregar os dados reais para uma equipe testar um modelo de IA, ela pode gerar uma nova base com informações artificiais.
A estrutura pode ser semelhante à original: idade, região, frequência de compra e valor gasto, por exemplo. Os clientes da nova base, porém, não precisam existir.
O objetivo é preservar padrões estatísticos relevantes para determinada tarefa, enquanto se reduz a exposição direta às informações originais.
O NIST, instituto americano de padrões e tecnologia, destaca que dados sintéticos podem ser utilizados como uma das estratégias de proteção e compartilhamento de informações. A instituição também alerta que técnicas diferentes oferecem níveis diferentes de proteção.
A aplicação depende do tipo de sistema que está sendo desenvolvido. Entre os usos estão:
Um banco, por exemplo, poderia criar milhares de transações artificiais para testar um sistema de detecção de fraude. Uma empresa de varejo poderia simular diferentes perfis de consumidores para avaliar um modelo de recomendação.
O dado sintético não é simplesmente um dado real com o nome removido. Ele é produzido por um processo de geração que busca reproduzir determinadas características da base original.
Para profissionais que trabalham com tecnologia, entender essa diferença é importante porque privacidade, qualidade dos dados e desempenho do modelo estão diretamente relacionados.
Não necessariamente. A técnica pode reduzir riscos, mas não transforma automaticamente qualquer base em informação anônima.
Um dos desafios é a reidentificação. Dependendo de como os dados foram gerados e da quantidade de informações preservadas, pode existir risco de que registros sintéticos revelem características de pessoas presentes na base original.
O NIST recomenda avaliar tanto a utilidade quanto o risco de divulgação antes de utilizar dados sintéticos. Técnicas de privacidade diferencial, por exemplo, acrescentam garantias matemáticas sobre a quantidade de informação que pode ser revelada sobre indivíduos.
Outro ponto é a qualidade. Se os dados artificiais forem muito diferentes da realidade, um sistema treinado ou testado com eles pode apresentar resultados inadequados quando entrar em contato com dados reais.
Por isso, empresas precisam avaliar privacidade e utilidade em conjunto.
A expansão dos dados sintéticos cria uma nova camada de trabalho para profissionais de tecnologia, dados, segurança e negócios.
Não basta gerar uma grande quantidade de registros artificiais. É necessário definir quais características precisam ser preservadas, medir a qualidade da base e verificar se existe risco de exposição das informações originais.
Em projetos corporativos, isso pode envolver profissionais de ciência de dados, engenharia, segurança da informação, jurídico e governança.
O NIST também vem tratando a documentação da origem e da geração de dados sintéticos como parte da documentação de conjuntos de dados usados em sistemas de IA.
A tendência coloca os dados sintéticos como mais uma ferramenta para empresas que precisam desenvolver inteligência artificial sem depender exclusivamente da circulação de informações reais. O uso adequado, porém, depende do objetivo do projeto, da qualidade dos dados gerados e dos mecanismos adotados para reduzir riscos de privacidade.