Carreira

Ela deixou a advocacia reativa, chegou aos conselhos e hoje dá aulas de governança

Formada pelo ABP-W da Saint Paul, Ana Lúcia Lise vê no 'clube do Bolinhas' o gargalo dos boards

 (Divulgação)

(Divulgação)

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 17h50.

Última atualização em 9 de setembro de 2026 às 17h51.

Priorizar nos meus resultados Google

Foi ao perceber que passava a carreira lidando com passivos ambientais já materializados, em vez de discutir estratégia antes que os problemas aparecessem, que Ana Lúcia Lise decidiu deixar a advocacia. Hoje ela atua em conselhos de administração, mantém uma consultoria própria de advisory sênior em clima e governança, fundada em 2021, e dá aulas na Saint Paul Escola de Negócios.

"Eu dificilmente conseguia atuar num viés proativo, num viés estratégico", diz Lise sobre os anos em que atendia diretorias de plantas industriais e áreas de licenciamento ambiental como advogada. Para escalar até vice-presidências e conselhos de administração, diz ela, faltava um "pulo real".

Esse pulo veio de uma formação em governança corporativa, buscada no momento em que o mercado brasileiro começava a amadurecer as discussões sobre clima e natureza dentro da agenda de lideranças. Lise saiu do universo jurídico, mudou-se para São Paulo e reorientou a carreira para conseguir dialogar diretamente com CEOs e conselhos, não apenas com diretorias operacionais.

Essa mudança de repertório aparece hoje no modo como ela lê temas regulatórios recentes, como a resolução 244 da CVM, que retirou a obrigatoriedade dos relatos financeiros de sustentabilidade e clima para empresas de capital aberto. "De fato, hoje a gente precisa de uma motivação e ter esses temas na agenda da liderança", diz, ao descrever a decisão de divulgar ou não esses relatos como um cálculo de risco e benefício que cabe à governança de cada empresa.

O pulo que faltou veio na turma 5 do ABP-W

A formação em governança aconteceu no Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W), da Saint Paul Escola de Negócios, cursado por Lise na turma 5, em 2018. Na época, ela já somava quase 20 anos de carreira, duas especializações e um mestrado, mas seguia discutindo os mesmos temas jurídicos com o mesmo círculo de colegas.

As disciplinas de economia e de análise estratégica de demonstrações financeiras, segundo ela, romperam esse ciclo. "Isso foi assim uma virada de chave gigantesca mesmo, me trouxe um arcabouço de discussão muito diferente", diz. O contato com executivas de áreas como marketing e logística, cada uma enxergando o mesmo problema por um ângulo diferente, completou a virada.

Articular não é manipular

Entre as competências comportamentais do programa, uma mudou diretamente sua forma de atuar dentro de colegiados. Antes do curso, Lise dizia que discordâncias entre conselheiros deveriam ser resolvidas apenas na mesa, de forma direta. Ela aprendeu que um alinhamento prévio entre os pares, a chamada articulação, não é manipulação, mas parte da gestão de um grupo com posições divergentes.

"Foi a mais diferente, a mais difícil para mim, mas que eu consegui internalizar e que hoje eu consigo executar", diz sobre essa soft skill, que hoje aplica tanto em reuniões de conselho quanto na condução de sua consultoria.

O ABP-W reúne hoje uma rede de mais de 600 ex-alunas, que se misturam entre turmas diferentes e criam relações de indicação e contratação dentro da própria comunidade. Lise diz que chegou a hesitar antes de entrar em uma sala de aula formada só por mulheres, em 2018, mas descreve o resultado como o oposto do que temia: um ambiente em que não era preciso medir palavras para compartilhar experiências.

O módulo internacional de sua turma, em Londres, na London School of Economics, reforçou essa lógica de troca entre mulheres. Lise cita a professora responsável pela disciplina de governança corporativa segundo o código de compliance do Reino Unido, com quem mantém contato até hoje, como uma das referências que carrega da experiência.

O gargalo que os dez anos do curso não resolveram

Neste ano o ABP-W completa dez anos e já formou mais de 14 turmas. Para Lise, o conteúdo evoluiu junto com o mercado, e temas como ESG passaram a integrar a grade. O acesso aos conselhos, porém, segue represado pelo mesmo obstáculo de sempre.

"O QI continua imperando para os conselhos", diz, referindo-se à indicação por proximidade que ainda define boa parte das composições de board no Brasil. Ela chama esse ciclo fechado de "clube do Bolinhas" e afirma que ele segue barrando a entrada de competências diversificadas nos colegiados, o mesmo gargalo que via no início da carreira.

Para Lise, o repertório técnico e o acesso a espaços de decisão caminham juntos. Quem busca essa mesma ampliação de repertório para atuar em conselhos de administração pode conhecer o Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W), da Saint Paul Escola de Negócios, o mesmo programa cursado pela executiva.

Acompanhe tudo sobre:ABP-WEscola de Negócios Saint PaulHigh Impact Programs

Mais de Carreira

Essas habilidades vão colocar profissionais em destaque no mercado de trabalho nos próximos anos

Líderes que não esperam ordens: a aposta de um banco digital para crescer com metas altas

Quase metade de quem faz curso de autoconhecimento muda a atitude no trabalho, aponta pesquisa

Sete hábitos de pessoas com inteligência emocional que fazem diferença no trabalho