EXAME/IDEIA: desaprovação de Bolsonaro vai a 49%, pior marca desde junho

Vacinação lenta impacta na avaliação do presidente. Para 77% dos brasileiros, a aplicação das doses contra a covid-19 está atrasada

Sem doses suficientes para vacinar o primeiro grupo prioritário contra a covid-19, e com a demora para liberar a nova rodada de auxílio emergencial, a desaprovação do governo do presidente Jair Bolsonaro chegou a 49%. A marca é a pior desde junho do ano passado, quando atingiu 54%. Naquele momento, a liberação da primeira rodada do auxílio ainda estava no começo e uma pequena parcela da população havia recebido o benefício.

A aprovação caiu 1 ponto percentual em relação à rodada publicada duas semanas atrás, e ficou em 25%. Os que nem aprovam e nem desaprovam somam 22%.

Os dados são da mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, projeto que une Exame Invest Pro, braço de análise de investimentos da EXAME, e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. O levantamento ouviu 1.255 pessoas entre os dias 22 e 24 de março. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Clique aqui para ter acesso ao relatório completo.

“A gestão do presidente Bolsonaro segue sendo mais bem avaliada pelo segmento evangélico [36% de avaliação positiva] e pior avaliada pelos entrevistados com ensino superior [63% de desaprovação] e pelas mulheres [53%]. A combinação de piora da pandemia com o ritmo de vacinação lento e com a falta de auxílio emergencial tem contribuído para um resultado negativo da avaliação presidencial”, explica Maurício Moura, fundador do IDEIA.

Vacinação lenta

A pesquisa EXAME/IDEIA também questionou os brasileiros sobre a velocidade da vacinação. Para 77%, a aplicação das doses está atrasada. Houve um avanço de 10 pontos percentuais nesse número em comparação ao dado registrado na rodada de 15 de janeiro.

O Brasil atualmente é o 15º país que mais vacinou no mundo, comparando valores proporcionais. De acordo com dados da Universidade de Oxford, 12 milhões de pessoas receberam pelo menos a primeira dose, o que corresponde a 5,7% da população. O país está atrás de Israel (60%), Reino Unido (42%), Chile (31%), e dos Estados Unidos (25%).

“Há uma frustração coletiva enorme em relação à vacinação. Essa sensação é maior entre as pessoas de maior renda [79% de quem ganha mais de 5 salários mínimos], mais escolarizados e de capitais/regiões metropolitanas [passando de 80% nos dois recortes]”, diz Maurício Moura.

Se no começo de fevereiro 17% da população acreditava que seria vacinada somente em 2022, este número subiu para 28% na pesquisa publicada em 26 de março. Para 8%, a aplicação deve ocorrer ainda neste mês, 10% acreditam que em abril, e 13% esperam ser vacinados ainda neste semestre. Somam 20% aqueles que não sabem quando vão receber uma dose.

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Sem dar datas, o novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga, se comprometeu na última quarta-feira, 24,  a acelerar em pelo menos três vezes a quantidade de pessoas vacinadas contra a covid-19 diariamente. Ele disse que esta meta será cumprida em um “curto prazo”.

“Nós temos condições de vacinar muitas pessoas. Nesse momento, vacinamos 300.000 pessoas todos os dias, e o governo assume o compromisso de, em curto prazo, aumentar em pelo menos três vezes essa velocidade, para 1 milhão de vacinas todo dia. É uma meta plausível. Temos capacidade de fazer até mais, mas não quero me comprometer com algo que depende de mais vacinas”, disse ele em entrevista coletiva.

Auxílio emergencial

Liberada pelo Congresso Nacional, a nova rodada de auxílio emergencial deverá começar a ser paga em abril, ainda que o calendário ainda não tenha sido divulgado. Cerca de 45 milhões de famílias vão receber o valor médio de 250 reais que serão pagos em quatro parcelas.

De acordo com a pesquisa EXAME/IDEIA, 52% dos brasileiros pretendem pedir o novo auxílio emergencial. Deste grupo que vai solicitar o benefício, 69% afirmam que este valor, abaixo dos 600 reais pagos em 2020, não atende às necessidades básicas para evitar a circulação nas ruas e ajudar no isolamento social.

 (Arte/Exame)

“Do grupo que apoia o governo, metade pretende pedir o auxílio. E para completar, dos que são potenciais candidatos a receber o benefício, dois terços acreditam que 250 reais não atendem às necessidades. Isso quer dizer que há espaço para uma frustração de parte dos atuais apoiadores do governo e isso pode ter impacto negativo na população. Nesse contexto, o auxílio vai ajudar mais na manutenção dos atuais patamares de avaliação do governo do que um eventual crescimento”, avalia o fundador do instituto IDEIA.

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