Sem dar prazo, Queiroga diz que vai vacinar 1 milhão de pessoas por dia

Em primeira entrevista após oficialização no cargo, o novo ministro da Saúde disse que o presidente Jair Bolsonaro deu autonomia para ele trabalhar

Em sua primeira entrevista como ministro da Saúde após a oficialização, o médico Marcelo Queiroga se comprometeu, nesta quarta-feira, 24, a acelerar em pelo menos três vezes a quantidade de pessoas vacinadas contra a covid-19 diariamente. Sem dar datas, ele disse que esta meta será cumprida em um “curto prazo”.

“Nós temos condições de vacinar muitas pessoas. Nesse momento, vacinamos 300.000 pessoas todos os dias, e o governo assume o compromisso de, em curto prazo, aumentar em pelo menos três vezes essa velocidade, para 1 milhão de vacinas todo dia. É uma meta plausível. Temos capacidade de fazer até mais, mas não quero me comprometer com algo que depende de mais vacinas”, disse ele em entrevista coletiva.

O Brasil atualmente é o 15º país que mais vacinou no mundo, comparando valores proporcionais. De acordo com dados da Universidade de Oxford, 11 milhões de pessoas receberam pelo menos a primeira dose, o que corresponde a 5,4% da população, atrás de países como Israel (60%), Reino Unido (41%), Chile (30%), e Estados Unidos (25%).

Questionado sobre o direcionamento do Ministério da Saúde sobre o uso de medicamentos sem comprovação científica para tratamento da covid-19, Queiroga desviou do assunto e disse que o médico tem autonomia para prescrever qualquer tipo de remédio.

“Os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas são postas como está na Lei Orgânica da Saúde. Não existe um protocolo com uso de medicações. Não existe ainda uma medicação que mostrou eficácia. A própria Anvisa diz que não há. E a ciência é dinâmica. Compete ao médico indicar o melhor tratamento. Temos de olhar para a frente e ver o que existe de comprovado. Constituímos dentro da pandemia um conselho técnico que vai coordenar os protocolos”, afirmou.

Autonomia

O médico Marcelo Queiroga disse que o presidente Jair Bolsonaro lhe deu autonomia para estabelecer as medidas necessárias no combate à pandemia de covid-19. “O presidente me deu autonomia para indicar o secretariado do Ministério da Saúde, e o fiz para que tenhamos sucesso nas políticas públicas”, disse.

A autonomia foi o ponto central para a saída dos ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Os dois ministros, anteriores ao general Eduardo Pazuello, saíram por divergências com Bolsonaro no controle da pandemia de covid-19, principalmente sobre o uso da cloroquina — sem comprovação científica — e da transparência de dados.

Dados da pandemia

Ministério da Saúde passou a exigir dados adicionais para o preenchimento de óbitos pelo coronavírus no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). A informação foi anunciada na tarde desta quarta-feira, 24, pelo governo de São Paulo, segundo o qual a alteração foi feita sem aviso prévio e pode causar nos próximos dias um "represamento de dados" sobre a pandemia.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, o Sivep-Gripe passou a exigir dados como número de CPF, cartão de vacinação do SUS, declaração de estrangeiro e a confirmação ou não se o paciente já havia se imunizado contra o coronavírus. "Burocratizar sem avisar fez com que não tivéssemos aportado por grande parte dos municípios do país o número de óbitos", afirmou.

Secretários de Saúde afirmaram, no fim da tarde desta quarta-feira, que o Ministério da Saúde tinha voltado atrás na decisão de pedir estes novos dados. Questionado na entrevista coletiva, Queiroga disse que não sabia da decisão de alterar os registros dentro do sistema, e que iria verificar o que houve.

(Com Estadão Conteúdo)

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