Congresso: 6x1 deve ter destaque nas discussões legislativas na volta do Carnaval (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 08h00.
O ano legislativo começou oficialmente no início de fevereiro, mas as votações de maior impacto ficaram para depois do Carnaval. Com a agenda esvaziada nas semanas de folia, Câmara e Senado concentram no pós-Carnaval as matérias consideradas prioritárias pela cúpula do Congresso e pelo governo, em meio a pressões nas CPIs e debates sobre mercado de trabalho, segurança pública e regulação de setores.
Entre os temas que devem avançar estão o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública, o acordo entre Mercosul e União Europeia e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a proposta relacionada à escala 6x1 está entre as prioridades imediatas da Casa.
“Quem sabe, já na semana seguinte ao Carnaval, teremos aí o relator escolhido, daremos o prazo para que a CCJ possa discutir a admissibilidade”, afirmou, ao mencionar expectativa de votação em até três meses.
No Senado, o líder do PT, Rogério Carvalho (SE), classificou a redução da jornada como prioridade do governo. Ele defendeu a análise da PEC 148/2015, que trata da redução gradual da jornada, e não descartou o envio de projeto do Executivo em regime de urgência para tratar do fim da escala 6x1.
A regulamentação do trabalho por aplicativos também integra a agenda do semestre. A proposta em discussão na Câmara busca criar um marco legal para motoristas e entregadores de plataformas digitais, sem enquadramento automático no regime tradicional de emprego.
O governo, por meio da Secretaria-Geral da Presidência, criou um grupo de trabalho para discutir uma proposta de regulamentação com os trabalhadores e as empresas.
A expectativa é que o relatório com uma proposta seja apresentado na próxima semana. No Congresso, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025 tem tramitação avançada e pode ser votado até o fim de março.
A escala 6x1 e a regulamentação do trabalho por aplicativo foram definidas como as prioridades do governo para os parlamentares em mensagem enviada aos parlamentares na abertura do ano legislativo.
A Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública está entre os principais pontos da agenda. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o tema será retomado após o Carnaval.
“Devemos agora, após o Carnaval, retomar este tema. Espero que, passando na Comissão Especial, possamos levar ao Plenário a pauta da segurança pública, uma pauta inadiável”, disse.
Segundo ele, a proposta busca fortalecer a integração entre municípios, estados e governo federal, ampliar o financiamento da área, investir em inteligência e monitoramento de fronteiras e revisar o sistema prisional.
A matéria ainda depende de análise em comissão especial antes de seguir ao plenário. O texto foi enviado pelo governo, mas já sofreu alterações do relator, o deputado Mendonça Filho (União).
Os governadores, principalmente de oposição, não contrários à proposta, dizem que ela retirará a autonomia estadual no combate ao crime. O Planalto, por sua vez, argumenta que a medida apenas uniformiza e facilita a luta contra o crime organizado.
Outra proposta, enviada pelo governo, é o PL Antifacção. O texto passou por idas e vindas para ser aprovado na Câmara, foi alterado no Senado e terá que ser validado novamente pelos deputados federais.
Além disso, uma outra proposta relacionada à Segurança Pública deve ser analisada na próxima semana pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Os parlamentares podem votar o PL 476/2023, que endurece as penas para quem comete novos crimes enquanto usufrui de benefícios penais, como saída temporária ou prisão domiciliar.
O relator, senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), propõe ampliar o alcance da punição para abranger qualquer tipo de benefício judicial ou medida cautelar.
Também no Senado, foi aprovado o PL 2.985/2023, que estabelece restrições à publicidade das apostas de quotas fixas, as chamadas bets. O texto agora terá que ser analisado pela Câmara dos Deputados.
Uma parcela dos deputados defende a votação da proposta. Hugo Motta já afirmou que o tema precisa ser analisado com cuidado para não impactar o setor, que investe bilhões de reais em publicidade.
A proposta proíbe anúncios ou ações publicitárias com atletas, artistas, comunicadores, influenciadores ou autoridades e impõe novas regras à promoção das apostas.
O relator no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), afirmou que a intenção não é a proibição total da publicidade, mas uma regulamentação mais rígida.
Outro tema que deve avançar nesse primeiro semestre será a declaração de interesse público dos medicamentos Mounjaro e Zepbound, produzidos a partir da substância tirzepatida.
A proposta, apresentada pelo deputado Mário Heringer (PDT-MG) e com regime de urgência aprovado, pode ser votada diretamente em plenário e trata da possibilidade de quebra de patente das chamadas canetas emagrecedoras.
O projeto trata de medicamentos usados no tratamento da obesidade, doenças crônicas associadas ao sobrepeso e diabete tipo 2. Para virar lei, precisa ser aprovado também pelo Senado.
Outro ponto considerado estratégico é o acordo de comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro e enviado ao Congresso. A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul deve retomar a análise do texto após o Carnaval.
Hugo Motta afirmou que a tramitação depende da comissão mista que reúne deputados e senadores.
“É necessário passar nesta comissão mista para que, depois, possamos levar ao Plenário. A expectativa é que, se não essa semana, na semana seguinte ao Carnaval, a comissão conclua essa análise e aí nós já levamos, na mesma semana, ao plenário da Câmara”, disse em evento.
No campo das investigações, a CPMI do INSS deve ouvir o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, para apurar possíveis irregularidades em empréstimos consignados a aposentados e pensionistas.
O depoimento está marcado para segunda-feira, 23, mas, segundo decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a ida de Vorcaro não é obrigatória. Na última sexta-feira, Mendonça devolveu à CPMI documentos relacionados a quebras de sigilo de Vorcaro e do Master.
Também é esperado que a oposição volte a tentar aprovar um requerimento para a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Parlamentares afirmam que o "Lulinha" tem envolvimento em negócios envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS e principal nome relacionado ao esquema de desvios de aposentadorias.
Outra CPI que deve ter novos desdobramentos com a volta do Congresso será a do Crime Organizado. Entre os requerimentos prontos para ser votados estão os para ouvir os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de Vorcaro.
A comissão convocou ainda o diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, para prestar esclarecimentos sobre o uso de plataformas digitais em práticas criminosas.