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Em semana tensa, governo Bolsonaro mostrou força e fragilidade

Texto da Reforma da Previdência agradou agentes do mercado, mas governo ainda tem um bom caminho a percorrer em termos de articulação política
 (Reuters/Marcos Correa)
(Reuters/Marcos Correa)
Por Talita AbrantesPublicado em 23/02/2019 10:25 | Última atualização em 23/02/2019 10:25Tempo de Leitura: 2 min de leitura

São Paulo - No plano ideal do governo, a terceira semana de fevereiro seria o ponto alto dos primeiros dias de Jair Bolsonaro na Presidência com a apresentação da reforma da Previdência ao Congresso. Nem tudo saiu como o esperado, no entanto.

Se por um lado, o texto apresentado agradou ao mercado, por outro, a demissão ruidosa de um ministro e a primeira derrota do governo no Legislativo apontaram algumas fragilidades que a atual gestão ainda tem por resolver.

“A semana mostrou os ativos e os passivos deste governo. As negociações entre o Executivo e o Ministério da Economia tem ido bem, mas a relação do Planalto com o Congresso está desastrosa e a crise com o Gustavo Bebianno expôs isso”, afirma, Christopher Garman, diretor de análise para Américas da consultoria americana Eurásia.

Depois de uma semana de idas, vindas e muito bate-boca, a exoneração de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência foi confirmada na segunda-feira (18). No dia seguinte, a revista VEJA divulgou áudios que desmentiam a versão do presidente e, na Câmara dos Deputados, veio a primeira derrota para o governo com a derrubada dos efeitos do decreto que ampliou a possibilidade de sigilo de documentos.

“Foi sim um recado, mas não devemos exagerar na importância dessa derrota. O assunto nem era tão importante assim e, em outros assuntos, o governo saiu vitorioso, como com a aprovação do cadastro positivo”, diz Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores.

Apesar desses revezes, a apresentação do texto da Reforma da Previdência foi o ponto alto da semana, na visão dos analistas ouvidos por EXAME. "É uma proposta robusta e bem desenhada para facilitar a batalha da comunicação política", diz Garman. O desafio agora para o governo Bolsonaro é montar uma estratégia de articulação com o Congresso realmente eficaz - a julgar pelos acontecimentos da última semana ainda há muito trabalho pela frente nesse sentido.