Mão de obra: poucos alunos matriculados em cursos técnicos explica falta de profissionais (Divulgação/Acciona)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 18 de julho de 2026 às 08h00.
A escassez de mão de obra qualificada gera um impacto estimado de R$ 335 bilhões por ano ao setor produtivo brasileiro, segundo o Movimento Brasil Competitivo (MBC).
A entidade lançou na sexta-feira, 17, a agenda Compromissos para um Brasil Competitivo, documento que reúne propostas para aproximar a formação profissional das necessidades do mercado de trabalho, elevar a produtividade e reduzir entraves à competitividade da economia.
O levantamento reúne indicadores que mostram o descompasso entre a oferta de profissionais e a demanda das empresas.
Entre os motivos estão o alto número de jovens fora do mercado de trabalho e o baixo número de matriculados em cursos técnicos.
Segundo o MBC, o Brasil tem 4,8 milhões de jovens que não estudam nem trabalham, enquanto apenas 21,5% dos alunos do ensino médio estão matriculados em cursos técnicos ou profissionalizantes. Ao mesmo tempo, pesquisa da ManpowerGroup mostra que 80% dos empregadores brasileiros relatam dificuldades para contratar profissionais qualificados.
"O mercado de trabalho mudou mais rapidamente do que a capacidade do país de formar profissionais com as competências demandadas pelas empresas. Aproximar educação e setor produtivo é fundamental para elevar a produtividade e aumentar a competitividade brasileira", afirma Tatiana Ribeiro, diretora-executiva do MBC.
Além do déficit de qualificação, o documento destaca outros fatores que, na avaliação da entidade, pressionam o chamado Custo Brasil. Hoje, 37,3% da força de trabalho está na informalidade, o equivalente a 38,1 milhões de pessoas.
O levantamento também aponta que o país acumula 2,12 milhões de ações trabalhistas, volume superior à média dos países da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Como meta para 2030, o MBC propõe elevar para 35% a participação de estudantes matriculados no ensino técnico e profissionalizante, reduzir o estoque de ações trabalhistas para 1,48 milhão e diminuir a taxa de informalidade para 35%.
Para atingir esses objetivos, a entidade defende a criação de um Sistema Nacional de Avaliação da Educação Profissional, a ampliação de programas de qualificação alinhados às demandas das empresas, a modernização da Lei da Aprendizagem e mudanças nas relações de trabalho para acompanhar a economia digital.Para o MBC, ampliar a oferta de ensino técnico é uma das principais medidas para reduzir o déficit de profissionais qualificados e aumentar a produtividade da economia. A entidade avalia que a falta de trabalhadores com as competências exigidas pelo mercado limita a expansão das empresas e reduz a capacidade de crescimento do país.
"A escassez de profissionais qualificados aumenta o Custo Brasil e limita o crescimento das empresas. Fortalecer a educação profissional e modernizar as relações de trabalho são agendas complementares para aumentar a produtividade, ampliar a formalização e preparar o país para as transformações da economia", afirma Tatiana Ribeiro.