(Washington Costa/MF/Flickr/Divulgação)
Repórter
Publicado em 20 de março de 2026 às 12h50.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta sexta-feira, 20, que não pretende rever concessões e privatizações no estado de São Paulo, como a da Sabesp.
Em seu primeiro dia como pré-candidato ao governo paulista, Haddad disse à imprensa que “os governos do PT respeitam contratos” e que o desrespeito pode trazer mais prejuízos do que ganhos. Segundo ele, decisões anteriores produzem efeitos jurídicos que precisam ser considerados.
Apesar de se posicionar contra a privatização da Sabesp, realizada pelo atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-ministro afirmou que a reestatização é uma operação complexa e afastou a possibilidade de reversão. O PT contesta a desestatização no Supremo Tribunal Federal (STF), que começou a julgar o caso nesta sexta-feira.
Haddad citou ainda sua gestão como prefeito de São Paulo ao mencionar que manteve contratos até o fim da vigência, mesmo quando discordava, como no caso da inspeção veicular. “Fazemos valer a nossa opinião mas respeitamos o ato jurídico”, disse.
O petista também fez acenos ao empresariado e a investidores. Disse que o setor produtivo lucrou em governos progressistas e “não tem do que reclamar”. Segundo ele, há espaço para ampliar investimentos e São Paulo tem perdido oportunidades econômicas.
Durante a entrevista, Haddad também comentou sobre as indicações para o Banco Central. Ele reiterou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não fez convites para as duas diretorias vagas, de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
O ex-ministro afirmou que não sabe quem serão os escolhidos nem quais critérios serão adotados. Disse ainda que Lula pediu sugestões a colaboradores “como de hábito” e que indicou dois nomes que classificou como “de altíssimo nível”.
A fala ocorre um dia após Haddad deixar o Ministério da Fazenda. Na quinta-feira, 19, o presidente anunciou que o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, será o substituto no comando do ministério. Haddad deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo, a pedido de Lula.