Fernando Haddad: político deixa Ministério da Fazenda e se torna candidato ao governo de São Paulo (Washington Costa/MF/Flickr/Divulgação)
Repórter
Publicado em 19 de março de 2026 às 21h00.
Última atualização em 19 de março de 2026 às 21h08.
O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou nesta quinta-feira, 19, a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo, repetindo a estratégia adotada nas eleições de 2022.
A confirmação foi feita em pronunciamento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local associado à trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à formação do partido.
O movimento já era esperado desde a semana anterior e ocorreu após agendas do governo federal no estado, incluindo a 17ª Caravana Federativa e um evento em homenagem ao ex-presidente uruguaio Pepe Mujica.
Haddad volta à disputa após ter chegado ao segundo turno em 2022, quando foi derrotado pelo atual governador, Tarcísio de Freitas.A candidatura ocorre em um cenário em que São Paulo concentra mais de 20% do eleitorado nacional e tem impacto direto na eleição presidencial. Haddad terá como desafio enfrentar o favoritismo de Tarcísio de Freitas nas pesquisas.
A escolha do nome foi consolidada após avaliação interna que considerou outros possíveis candidatos, como Geraldo Alckmin, Márcio França e Simone Tebet. Alckmin deve participar da campanha, mantendo o posto de vice na chapa presidencial.
Tebet avalia disputar o Senado por São Paulo, enquanto França e Marina Silva são mencionados como possíveis nomes para a vice na chapa estadual.
O presidente Lula anunciou nesta quinta-feira, 19, que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, será o substituto de Fernando Haddad na liderança da pasta. A declaração foi feita durante a 17ª caravana federativa, em São Paulo.
“O Dario será o substituto do Haddad no ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olhe bem para a cara dele que é dele que vocês irão cobrar muitas coisas”, disse.
O nome de Durigan já havia sido indicado por Haddad nos bastidores, mas esta foi a primeira vez que Lula, responsável pela nomeação, confirmou publicamente a escolha.
No mesmo evento, Fernando Haddad afirmou que esta quinta-feira, 19, será seu último dia à frente do Ministério da Fazenda. O ministro deixará o cargo para disputar o governo de São Paulo, a pedido de Lula.
Em discurso, Haddad fez um balanço da gestão e destacou medidas voltadas aos estados e municípios. “Hoje é um dia especial, muito especial para mim, é o dia que estou deixando o Ministério da Fazenda”, afirmou.
Ele citou resultados econômicos do período e comparou com a gestão anterior. Segundo Haddad, o país conseguiu crescer acima da média da década anterior, reduzir o desemprego ao menor nível da série histórica do IBGE e manter a inflação em patamar mais baixo.
O ministro também destacou a aprovação da reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. “A reforma tributária impediu enormes injustiças contra trabalhadores”, disse. Sobre o IR, afirmou que a medida foi aprovada com apoio do Congresso.
Haddad mencionou ainda a renegociação das dívidas dos estados, por meio do Propag, e disse que São Paulo foi beneficiado. “Mesmo um Estado rico como São Paulo não estava com condição de pagar dívida perante União”, afirmou.
Segundo ele, o fortalecimento do pacto federativo foi fundamental para os resultados da gestão. O ministro também citou a ampliação de recursos do BNDES para estados e municípios.