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Dino condiciona análise no STF a decisão sobre eleição no Rio

Ministro do Supremo indica que só deve liberar julgamento sobre modelo de escolha do governador fluminense após conclusão de disputa no Tribunal Superior Eleitoral

Publicado em 12 de maio de 2026 às 08h44.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), condicionou o avanço de uma ação que discute o modelo de eleição para o governo do Rio de Janeiro ao encerramento definitivo do processo em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A avaliação, segundo interlocutores, é de que o caso só deve retornar à pauta do Supremo após a conclusão dos embargos de declaração ainda pendentes no TSE, etapa considerada essencial para consolidar o entendimento da Justiça Eleitoral sobre o tema.

No entendimento de Dino, a análise da Corte eleitoral funciona como uma etapa prévia necessária para evitar decisões contraditórias entre as instâncias. A leitura interna no STF, segundo O Globo, é de que o desfecho no TSE ajuda a definir a natureza jurídica da disputa.

Assim que o julgamento dos embargos for concluído e o acórdão publicado, a expectativa é de que o ministro peça a inclusão do caso em pauta no Supremo.

A ação discute qual deve ser o modelo de sucessão no governo fluminense após a saída do titular do cargo, tema que abriu divergência sobre a possibilidade de eleições diretas ou indiretas.

O processo chegou ao STF após decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, que suspendeu a realização de uma eleição indireta até o julgamento definitivo da controvérsia.

No TSE, os embargos de declaração foram apresentados por diferentes partes do processo, incluindo a defesa do ex-governador e o Ministério Público Eleitoral.

O Ministério Público argumenta que o tribunal não teria se manifestado de forma clara sobre a cassação do diploma, mesmo após o reconhecimento de abuso de poder, e sustenta que a ausência dessa definição pode gerar distorções no sistema eleitoral.

A Procuradoria também defende que a renúncia do então governador antes da conclusão do julgamento não impediria a cassação, apenas afetaria a perda do mandato, o que, na visão do órgão, reforçaria a necessidade de eleições diretas.

Mudanças no TSE podem influenciar desfecho

O julgamento dos embargos deve ocorrer sob nova composição do Tribunal Superior Eleitoral, o que, segundo avaliação de bastidores, pode impactar o resultado final e, por consequência, o entendimento do Supremo Tribunal Federal.

A relatoria do caso ficou com o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que assumiu vaga recente no tribunal eleitoral e não participou do julgamento original que condenou o ex-governador.

Como relator dos embargos, caberá a ele conduzir a análise de pontos considerados omissos ou contraditórios na decisão anterior.

O cenário no TSE ainda pode sofrer alterações antes do julgamento. A presidente da Corte, Cármen Lúcia, deixará o tribunal no próximo ciclo de rodízio, abrindo espaço para a entrada do ministro Dias Toffoli.

A troca pode fazer com que a análise do caso ocorra já sob nova composição, embora ainda não haja data definida para o julgamento dos embargos.

*Com O Globo 

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