Brasil

Lula e Alcolumbre trocam afagos e defendem exploração de petróleo na Foz do Amazonas

Presidente agradeceu senador por destravar pautas do governo no Congresso

 (Ricsardo Stuckert/Presidência da República)

(Ricsardo Stuckert/Presidência da República)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 18h23.

Última atualização em 17 de agosto de 2026 às 19h14.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trocaram elogios durante visita conjunta de ambos ao navio-sonda da Petrobras que realiza perfurações no bloco FZA-M-59, localizado a 175 quilômetros da costa do Amapá, na Foz do Amazonas.

Lula e Alcolumbre restabeleceram a relação na semana passada, após meses sem se falar em razão da crise desencadeada pela indicação presidencial e pela rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

Em discurso feito no local e transmitido em suas redes sociais, Lula defendeu a decisão de realizar pesquisas na Margem Equatorial brasileira e disse que a descoberta de petróleo no local, anunciada pela Petrobras na última sexta-feira, 14, é o "passaporte para o futuro" do país.

"Isso aqui é uma conquista do bom senso, de um governo que acha que a empresa tem que pesquisar. Isso aqui pode-se chamar passaporte para o futuro deste país", disse Lula com um frasco transparente com petróleo nas mãos e macacão de petroleiro.

Em seu discurso, o presidente agradeceu Alcolumbre por ter dado andamento às PECs da Segurança Pública e do fim da esclaa 6x1, bem como ao projeto de lei que regulamenta o segmento de minerais críticos no país. As pautas, prioritárias para o governo, ficaram com a tramitação travada por meses por decisão do presidente do Senado, até a semana passada.

"Parabéns, Alcolumbre, que, aliás, nesta semana teve uma atitude muito importante para o Brasil. Tive uma conversa com o senador Alcolumbre e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil: a PEC da Segurança Pública, e na hora que for aprovada a PEC, a gente vai criar o Ministério da Segurança; também mandou para a comissão o fim da escala 6x1 para que as pessoas possam trabalhar cinco dias e descansar dois; e também mandou o projeto de lei que regula os minerais críticos e as terras raras", afirmou Lula.

Alcolumbre, por sua vez, agradeceu a Lula por ter tomado a decisão de permitir os estudos exploratórios na Margem Equatorial. O senador chegou a pressionar o Ibama e criticar a instituição pela suposta demora em conceder a licença de estudos à Petrobras, dada em 2025.

"Obrigado, presidente, pela defesa que o senhor fez nos últimos três anos e meio (da exploração de petróleo na região), enfrentando tudo e todos para defender que esse projeto chegasse hoje com essa descoberta da Petrobras", afirmou Alcolumbre.

O presidente do Senado ressaltou que a descoberta de petróleo na região pode dar ao Brasil "soberania energética".

Transição energética

Em seu discurso, Lula disse que, apesar de defender a exploração de petróleo na região, continua na "luta para que um dia a gente não precise usar combustível fóssil". O presidente mencionou que o país é uma potência na produção de biocombustíveis.

"Quando aconteceu a COP aqui no ano passado, muita gente queria que eu não declarasse que tinha conquistado a licença (do Ibama que autorizava a Petrobras a perfurar poços para realizar estudos) porque os europeus ficariam chateados se a gente anunciasse que iria procurar petróleo, porque eles só queriam que a gente só falasse do fim do combustível fóssil. E tomei a decisão de anunciar, antes da COP, que a gente iria fazer a prospecção aqui. Porque o que estava em jogo eram os interesses do país e da nossa empresa. E o direito do Amapá não virar só exportador de açaí e de tucunaré", afirmou Lula.

De acordo com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, embora a empresa tenha descoberto petróleo no poço Morpho, ainda não se sabe a quantidade. A executiva se disse otimista, porém,  em relação às perspectivas de exploração comercial. "Nesse poço acaba (a perfuração de estudos em um período) entre 15 e 20 dias e, depois, temos de delimitar a descoberta, (um estudo) vai dizer quanto tem de petróleo. Temos mais três (poços) esperando licença", afirmou.

A perfuração do poço Morpho, de acordo com Magda Chambriard, ocorre a cerca de 6.000 metros e faltam ainda aproximadamente outros 1.000 metros para acabar o processo de perfuração, que custa aproximadamente US$ 1 milhão por dia.

Além do Morpho, o leilão de exploração da Margem Equatorial realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no ano passado concedeu 33 blocos exploratórios, dos quais 19 se encontram na Foz do Amazonas.

Acompanhe tudo sobre:Governo LulaLuiz Inácio Lula da SilvaDavi AlcolumbreSenadoEscala de trabalho

Mais de Brasil

Moraes autoriza Bolsonaro a sair da prisão domiciliar para ir ao dentista

Em campanha, Lula faz 'rota do petróleo' no Amapá ao lado de Alcolumbre

Real Time Big Data: Lula abre 34 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro em Pernambuco

Real Time Big Data: Arraes e Costa lideram corrida ao Senado em Pernambuco