Lula e Flávio: Os dados mostram que 43% dos eleitores têm medo da volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto o medo da continuidade de Lula é de 42% (Divulgação/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 15 de abril de 2026 às 12h21.
Para além dos números gerais da pesquisa eleitoral, que mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente no primeiro turno e o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente no segundo turno contra o petista, o CEO da Quaest e cientista político, Felipe Nunes, destaca três dados que podem indicar tendências para os próximos meses.
O primeiro está relacionado ao percentual de intenção de voto concentrado em pré-candidatos que não são Lula nem Flávio. A avaliação de Nunes é que essa soma diminui as chances de uma definição da eleição presidencial já no primeiro turno.
"A novidade é Caiado em terceiro (6%), seu melhor desempenho até aqui. Somadas, as alternativas fora da polarização chegam a 15 pontos, diminuindo as chances de uma decisão no primeiro turno", disse.
O segundo ponto destacado pelo CEO da Quaest é uma leve mudança na percepção do grau de moderação de Flávio em relação ao restante da família Bolsonaro.
Em março, havia uma vantagem de 10 pontos entre os que consideravam Flávio mais moderado e os que o viam como ‘radical’. Agora, essa diferença caiu para 6 pontos.
Nunes destaca ainda que o cenário de empate técnico observado na simulação de segundo turno entre Flávio e Lula reflete o nível de rejeição e o medo que cada um dos dois lados representa para o eleitor.
Os dados mostram que 43% dos eleitores têm medo da volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto o medo da continuidade de Lula é de 42%.
A pesquisa mostra ainda que 55% dos eleitores afirmam que conhecem Lula e não votariam nele, enquanto 43% dizem que votariam. Apenas 2% afirmam não conhecê-lo.
No caso de Flávio, a rejeição é de 52%, com 9% de desconhecimento — o que pode indicar potencial de crescimento.
Caiado e Zema ainda têm alto nível de desconhecimento (50% e 51%, respectivamente), mas conseguiram, segundo Nunes, reduzir a rejeição e ampliar o potencial de voto.