Datafolha: entre os homens, 56% defendem pagar menos impostos e contratar serviços privados (Andrzej Rostek/Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 4 de julho de 2026 às 18h47.
A maioria dos brasileiros defende uma menor presença do Estado tanto na oferta de serviços públicos quanto na vida cotidiana. É o que mostram dois recortes da pesquisa Datafolha divulgados neste sábado, 4, que apontam crescimento da preferência por menos impostos e por uma menor dependência do governo.
Segundo o levantamento, 50% dos entrevistados afirmam que preferem pagar menos tributos, mesmo que precisem recorrer à iniciativa privada para contratar serviços como saúde e educação. Outros 44% dizem preferir uma carga tributária maior para garantir o acesso gratuito a esses serviços públicos. Os demais 6% não souberam responder.
O resultado representa uma mudança em relação a 2022, quando as opiniões estavam praticamente empatadas: 46% defendiam menos impostos e serviços privados, enquanto 48% preferiam uma tributação mais elevada para financiar saúde e educação públicas.De acordo com o Datafolha, é a primeira vez que a preferência pela redução da carga tributária aparece numericamente acima da defesa de um Estado mais atuante na prestação desses serviços.
Outro recorte da pesquisa mostra que 65% dos brasileiros concordam mais com a afirmação de que "quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida".
Já 31% acreditam que a qualidade de vida melhora "quanto mais benefícios do governo eu receber", enquanto 4% não responderam.
Segundo o instituto, esse é o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2013. Naquele ano, os brasileiros estavam divididos: 47% concordavam com cada uma das duas afirmações.
As respostas variam conforme o perfil dos entrevistados.
Entre os homens, 56% defendem pagar menos impostos e contratar serviços privados, contra 39% que preferem uma tributação maior para financiar saúde e educação públicas.Entre as mulheres, o cenário é mais equilibrado: 48% optam por manter uma carga tributária mais elevada para garantir os serviços públicos, enquanto 44% defendem a redução dos impostos.
No recorte religioso, 56% dos evangélicos preferem pagar menos tributos, enquanto 39% defendem uma carga tributária maior. Entre os católicos, há empate: 47% apoiam cada uma das posições.
A diferença também aparece na percepção sobre o papel do Estado. Enquanto 74% dos evangélicos afirmam que depender menos do governo melhora a vida, esse percentual é de 61% entre os católicos. Entre os homens, o índice chega a 71%, contra 59% entre as mulheres.
A pesquisa também identificou diferenças de opinião entre os eleitores.
Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevalece a avaliação de que receber benefícios do governo melhora a qualidade de vida e de que vale a pena pagar mais impostos para assegurar a oferta de serviços públicos.
Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), predominam tanto a defesa de uma carga tributária menor quanto a percepção de que viver com menor dependência do Estado proporciona uma vida melhor.
Os dois levantamentos fazem parte de um conjunto de perguntas do Datafolha sobre o papel do Estado na economia e na vida da população. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros.
*Com informações do O Globo