Brasil

Cresce para 40% a parcela dos brasileiros que atribui pobreza à preguiça, mostra Datafolha

Levantamento aponta avanço dessa percepção nos últimos quatro anos, enquanto diminui o número de pessoas que relacionam a pobreza à falta de oportunidades

Datafolha: pesquisa mostra a percepção do brasileiro sobre pobreza (Governo de SP/Reprodução)

Datafolha: pesquisa mostra a percepção do brasileiro sobre pobreza (Governo de SP/Reprodução)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 4 de julho de 2026 às 14h16.

A percepção de que a pobreza está ligada à falta de vontade de trabalhar ganhou força entre os brasileiros nos últimos quatro anos. Pesquisa Datafolha mostra que 40% da população atribuem a condição de pobreza à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar", percentual que era de 22% em 2022.

O índice é o maior registrado na série histórica do levantamento. Em 2013, essa opinião era compartilhada por 32% dos entrevistados; em 2014, por 37%; em 2017, por 21%; e voltou a 22% em 2022.

Apesar da alta, a maioria dos brasileiros ainda considera que a pobreza decorre da falta de oportunidades para ascensão social. Essa percepção, porém, perdeu força: caiu de 76% para 58% no mesmo período. Outros 3% não souberam responder.

Diferenças por renda e profissão

Entre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, as respostas repetem praticamente o resultado da média nacional. Já na faixa entre dois e cinco salários mínimos, 43% afirmam que a pobreza está relacionada à preguiça.

Por outro lado, a maior proporção de pessoas que atribuem a pobreza à desigualdade de oportunidades aparece entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos. Nesse grupo, 63% defendem essa explicação.

A pesquisa também identificou diferenças conforme a ocupação dos entrevistados. Entre empresários, 56% relacionam a pobreza à falta de disposição para trabalhar, o maior percentual entre as categorias analisadas.

Na direção oposta, os funcionários públicos registram o menor índice: 28% compartilham dessa visão.

Opinião varia conforme o eleitorado

As respostas também mudam de acordo com a preferência política dos entrevistados.

Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno estimulado, 28% associam a pobreza à preguiça, enquanto 70% apontam a falta de oportunidades como principal causa.

Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 52% atribuem a pobreza à preguiça e 44% consideram que ela está ligada à ausência de oportunidades.

Como foi feita a pesquisa

A pergunta integra o bloco de comportamento da pesquisa sobre matriz ideológica do Datafolha, que reúne temas como pobreza, armas, criminalidade, imigração, pena de morte, drogas, homossexualidade, religião, sindicatos e responsabilização de adolescentes que cometem crimes.

O levantamento foi realizado entre os dias 17 e 18 de junho com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros.

*Com informações de O Globo

Acompanhe tudo sobre:PobrezaEmprego formalFlávio BolsonaroLuiz Inácio Lula da SilvaDatafolha

Mais de Brasil

Governo anuncia novas regras para bets com alerta sobre vício em jogo

Anvisa atualiza vacinas contra Covid para acompanhar novas variantes

Projeto que sobe teto de faturamento de MEIs e empresas do Simples é adiado; saiba por quê

Acredito que Cleitinho estará comigo, diz governador de Minas sobre disputa à reeleição