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Ciro Gomes promete corte de 20% sobre renúncias fiscais

Para o presidenciável, melhorar o ambiente de negócios no Brasil passa por fazer uma reforma tributária que colide com interesses de Estados

Ciro Gomes: presidenciável promete corte de 20% sobre renúncias fiscais (BTG Pactual/Divulgação)

Ciro Gomes: presidenciável promete corte de 20% sobre renúncias fiscais (BTG Pactual/Divulgação)

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Estadão Conteúdo

30 de agosto de 2022, 12h54

O candidato do PDT a presidente, Ciro Gomes, propôs o corte de 20% das renúncias fiscais concedidas pelo governo federal caso seja eleito. "Todo gasto desnecessário que não seja imperativo, vou fazer como o velho Tancredo, é proibido gastar, vou passar o pente fino", afirmou nesta terça-feira, 30, para empresários durante evento da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) com presidenciáveis, em Brasília.

Ele criticou a inserção de itens na Cesta Básica para não pagar PIS/Cofins. "Salmão, queijo suíço, filé mignon. Dá R$ 8 bilhões de renúncia fiscal", disse. No ano passado, a renúncia de impostos totalizou R$ 350 bilhões, segundo o candidato. "Com 20% de corte, são R$ 70 bilhões e acaba o déficit primário", completou.

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Desenvolvimento

O candidato frisa que tem um projeto que endereça as soluções para o desenvolvimento nacional. Ciro fez tal afirmação ao responder pergunta sobre qual seria sua proposta para melhorar o ambiente de negócios no País por um dos participantes do evento. "Tenho proposto um projeto de desenvolvimento nacional. Projeto é um plano estratégico com começo, meio e fim, com divisão de tarefas e divisão de institucionalidades. Nenhum outro candidato no Brasil sabe para onde o Brasil vai do ponto de vista tecnológico", disse.

Para Ciro, melhorar o ambiente de negócios no Brasil passa por fazer uma reforma tributária que colide com interesses de Estados. Mas essa melhora, de acordo com o candidato do PDT passa também pela retomada do crescimento.

Entretanto, ele tergiversou ao ser perguntado sobre qual a sua proposta para assegurar os avanços da reforma trabalhista. Disse que aumentará a faixa de renda do trabalhador porque do ponto de vista da economia, é a massa de salários que dará a dimensão de escala.

"Eu irei alargar a faixa de renda do trabalho porque com isso direi onde a dinâmica da economia vai estar", disse, acrescentando que quer um novo código do trabalho já que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) não compreende a realidade do mercado de trabalho.

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Segundo Ciro, o objetivo nunca foi o equilíbrio das contas públicas, mas a transferência de recursos ao rentismo. "R$ 500 bilhões foram as contas de juros nos últimos 12 meses", disse, acrescentando que uma de suas propostas para melhorar o ambiente de negócios é simplificar o arcabouço tributário, reduzindo os seis impostos brasileiros em um, no IVA, e passando a cobrar o IVA no destino, em vez de cobrá-lo na origem.

Para Ciro, é "mentirosa" a ideia de que a individualidade é que vai resolver a questão trabalhista no Brasil. Para ele, a solução passa por uma ação de governo no sentido de reduzir a taxa de juros, que tem tirado dinheiro e poder de compra das pessoas.

O candidato voltou a afirmar que o juro do crédito no Brasil é muito alto e encarece o financiamento e que isso decorre de uma política e não de um fato isolado. Voltou a criticar os bancos alegando que no Brasil há cinco grandes instituições financeiras e que os quatro mais lucrativos do mundo são brasileiros.

Educação

Na educação, segundo Ciro, o Brasil é o pior do ponto de vista do Pisa e em operações básicas de matemática. De acordo com ele, a ideia é transformar o Brasil em um Portugal - país mais pobre da Europa Ocidental - em 30 anos.

"A orçamentação disso não passa por mentiras deslavadas de alguns candidatos que por aqui passaram. Os Estados hoje estão quebrados, ilíquidos e não podem mover um centavo de seus recursos. Eu vou consolidar a dívida dos Estados, de R$ 600 bilhões", disse.

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