Governo do Ceará: pesquisas mostram cenário acirrado entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas. (Divulgação/Campanhas)
Repórter de Invest
Publicado em 4 de outubro de 2026 às 07h01.
A disputa pelo Governo do Ceará chegou à reta final concentrada entre Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), tecnicamente empatados nas pesquisas AtlasIntel e Datafolha citadas na matéria. Analistas descrevem o cenário como uma espécie de “segundo turno antecipado” pela concentração das intenções de voto nos dois candidatos, mas ressaltam que isso não significa que a eleição será necessariamente definida no domingo, 4. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa superar 50% dos votos válidos.
De Fortaleza, Ceará — Com uma disputa acirrada entre os dois principais candidatos ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), as campanhas e aliados chegam à reta final preparados para uma eleição que já ganhou contornos de "segundo turno antecipado."
A concentração das intenções de voto nos dois candidatos também abre a possibilidade, apontada por analistas políticos, de que os cearenses definam já no domingo, 4, quem governará o estado pelos próximos quatro anos, caso um deles ultrapasse 50% dos votos válidos.
O levantamento AtlasIntel, divulgado no dia 30 de setembro, mostrou Elmano com 49% e Ciro com 47,6% das intenções de voto no primeiro turno, situação de empate técnico. Algo também visto no Datafolha, do dia 25, no qual Ciro detinha 44% das intenções de voto e Elmano, 43%.
A lógica eleitoral está, em partes, semelhante àquela encontrada normalmente na segunda rodada da disputa, devido à concentração em apenas dois candidatos. Para o cientista político e diretor do Instituto Opnus de Pesquisa, Pedro Barbosa, "a eleição no Ceará já funciona como uma espécie de segundo turno antecipado."
"Com a ausência de um terceiro nome competitivo, Ciro e Elmano concentram quase a totalidade dos votos válidos, embora ainda não seja possível afirmar se a disputa será resolvida no primeiro turno", diz o especialista.
Essa diferença é importante porque falar em segundo turno antecipado não significa afirmar que a eleição necessariamente terminará no domingo. A expressão descreve, principalmente, o comportamento da disputa, em que o Ceará chegou à reta final com polos formados e uma diferença pequena entre os dois candidatos.
Barbosa avalia não é necessário que um dos candidatos abra uma grande vantagem para vencer no primeiro turno. "Como os demais nomes somam poucos votos, uma diferença pequena entre os dois principais candidatos pode ser suficiente para que um deles ultrapasse os 50% dos votos válidos."
O estatístico e fundador da plataforma agregadora PollingData, Neale Ahmed El-Dash, também situa a eleição exatamente na faixa em que uma definição no primeiro turno é possível, mas não pode ser considerada certa. "Pode, mas hoje ela está exatamente na zona em que não dá para cravar isso."
Ele deu detalhes da estimativa do PollingData, onde Ciro aparecia com 44,9% e Elmano com 44% no primeiro turno. Com 9,6% de votos considerados não válidos na projeção, Ciro alcançaria cerca de 49,7% dos votos válidos.
O estatístico chama atenção, porém, para a diferença entre liderar a disputa e alcançar os votos necessários para encerrá-la. "(Há) probabilidade de 50,2% exibida (nas projeções da plataforma) para Ciro, (o que) significa terminar em primeiro lugar, não vencer no primeiro turno", destaca El-Dash.
A percepção de que o Ceará entrou em uma disputa de dois candidatos aparece também entre outros analistas, como Emanuel Freitas, cientista político e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), o qual resume o quadro como uma competição intensa e restrita nos dois.
"Bom, o cenário da eleição é completamente competitivo, né? Embora uma competitividade entre dois candidatos apenas", avalia Freitas.
A professora Monalisa Soares, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da Universidade Federal do Ceará (UFC), chama atenção para outra característica que diferencia a eleição de 2026 de disputas estaduais anteriores.
Governo e oposição chegaram à reta final com forças políticas mais próximas entre si, sem o desequilíbrio que em outras eleições permitia ao grupo governista assumir rapidamente uma posição dominante. "Eu acho que, nessa, pela primeira vez, a gente está vendo um balanceamento maior de forças", relata Soares.
Esse equilíbrio, segundo a cientista política, combina o peso eleitoral de Ciro com a estrutura reunida pela oposição e, do outro lado, a condição de Elmano como governador candidato à reeleição, além das lideranças reunidas em torno de sua candidatura.
Ao analisar o resultado dessa composição, a professora destaca o grau de competitividade alcançado pela eleição. "Há algum bom tempo, o Ceará não via uma eleição tão equilibrada, digamos assim, em termos de força, de capital político, de lideranças de ambos os lados."
O coordenador da campanha de Elmano, Chagas Vieira, reconhece a possibilidade de uma resolução antecipada da corrida ao Palácio da Abolição. "A campanha acabou ficando concentrada muito entre dois candidatos. Então, é natural que, quando existe uma polarização muito forte, você tenha dois candidatos que acabem se destacando."
Chagas destaca que, tendo em vista este cenário, a campanha petista tem focado nos indecisos na reta final. Assim como o candidato a vice na chapa de Ciro e ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União). "A preocupação maior é como convencer esse eleitor indeciso para poder tomar sua decisão de voto até o dia 4."
Enquanto a campanha do governador procura reforçar uma divisão entre dois campos políticos e explorar o apoio do presidente Lula (PT) e de outras lideranças de sua aliança, o grupo de Ciro tenta concentrar a discussão nos problemas do Ceará e apresentar a eleição como uma escolha entre continuidade e mudança.
Roberto Cláudio destaca que a campanha vem trabalhando com humildade, mobilizando eleitores e diferentes setores políticos, para entregar uma "mensagem de mudança". Ele acrescenta que o objetivo é manter as diferenças entre as candidaturas em evidência até a votação.
A estratégia governista procura, neste cenário, apresentar Elmano dentro de um grupo político que inclui Lula, o ex-ministro Camilo Santana (PT), a candidata ao Senado e ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne (PT), e o senador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, que apoia Elmano.
Ao mesmo tempo, o grupo petista busca associar Ciro a aliados do campo da direita e do bolsonarismo. "O que a gente sempre diz é que são dois lados que estão em disputa no Ceará", explica Chagas. Ciro, por outro lado, diz não apoiar nem Lula nem Bolsonaro e afirma que vai dialogar com qualquer eventual presidente.
A expressão é usada por analistas para descrever a concentração das intenções de voto em Ciro Gomes e Elmano de Freitas, sem um terceiro candidato com percentual próximo ao dos dois principais concorrentes. Isso faz com que a disputa tenha uma dinâmica semelhante à de um segundo turno, embora a votação ainda corresponda ao primeiro turno da eleição.
Sim. Para isso, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos. Os analistas ouvidos na matéria apontam que a concentração das intenções de voto em Ciro e Elmano torna esse resultado possível, mas afirmam que não é possível assegurar antecipadamente que a disputa terminará no primeiro turno.
A AtlasIntel divulgada em 30 de setembro mostrou Elmano com 49% e Ciro com 47,6% das intenções de voto, em situação de empate técnico segundo a matéria. No Datafolha do dia 25, Ciro registrava 44% e Elmano, 43%. Como são levantamentos de institutos diferentes, os resultados não devem ser tratados como uma mesma série histórica.
Significa receber a maioria dos votos considerados válidos na eleição. É esse percentual, e não simplesmente a liderança sobre o segundo colocado, que permite a eleição de um governador no primeiro turno.
Na estimativa citada na matéria, Ciro aparecia com 44,9% e Elmano com 44% no primeiro turno. Considerando 9,6% de votos não válidos na projeção, Ciro chegaria a aproximadamente 49,7% dos votos válidos. O estatístico Neale Ahmed El-Dash ressalta que a probabilidade de 50,2% apresentada pela plataforma para Ciro se refere à possibilidade de terminar em primeiro lugar, e não à de vencer necessariamente no primeiro turno.
Com uma diferença pequena entre Ciro e Elmano e a possibilidade de um dos candidatos superar 50% dos votos válidos, os eleitores que ainda não decidiram ou admitem mudar de voto podem influenciar tanto quem termina na frente quanto a possibilidade de definição da eleição no primeiro turno, segundo os especialistas ouvidos na matéria.
A campanha de Elmano destaca o apoio do presidente Lula (PT), do ex-ministro Camilo Santana (PT), de Luizianne e do senador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro Gomes. O grupo governista procura apresentar essas lideranças como parte do campo político que sustenta a candidatura à reeleição.
As duas campanhas apontam os eleitores indecisos como um dos focos dos últimos dias. O grupo de Elmano procura reforçar a divisão entre dois campos políticos e destacar suas alianças, enquanto a campanha de Ciro busca concentrar o debate nos problemas do Ceará e apresentar a disputa como uma escolha entre continuidade e mudança.