Rio Grande do Sul fica em alerta com aumento do Rio Taquari. (Imagem gerada por IA)
Colaboradora
Publicado em 22 de julho de 2026 às 14h58.
O Rio Grande do Sul amanheceu em alerta nesta quarta-feira, 22. O Rio Taquari ultrapassou a cota de inundação na madrugada em Lajeado, no Vale do Taquari, e segue subindo rapidamente.
Segundo a estação de monitoramento da região, o nível chegou a 19,1 metros por volta das 4h45, passando da marca de inundação, que é de 19 metros.
Às 9h15, o rio já estava em 21,69 metros, com alta de cerca de 65 centímetros por hora, conforme dados da rede telemétrica da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).
A previsão do SGB, divulgada em boletim extraordinário do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Taquari, é de que o nível pode chegar a 24 metros nas próximas horas em Lajeado e Estrela.
Diante da subida da água, a prefeitura de Lajeado acionou o Plano de Contingência às 2h40 e iniciou a retirada de famílias que moram perto do rio.
Até o momento, 15 famílias (35 pessoas) foram levadas para o abrigo montado no Parque do Imigrante.
Três vias da cidade, entre elas a avenida Décio Martins Costa, estão interditadas por causa da água.
Encantado, Estrela, Santa Tereza, Cruzeiro do Sul e Roca Sales também estão sob risco muito alto de inundação pelo Rio Taquari, com avisos específicos para cada município emitidos pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul.
O Rio Caí, que abastece cidades como São Sebastião do Caí e Montenegro, também apresenta risco elevado, especialmente entre Harmonia e Montenegro.
Para avisar a população rapidamente, o governo do Estado utilizou o sistema de Cell Broadcast, tecnologia que envia mensagens de emergência diretamente às telas de celulares localizados em áreas de risco, sem necessidade de aplicativo ou cadastro prévio.
Moradores de Lajeado, Estrela, Encantado e Santa Tereza receberam o alerta vermelho nesta quarta-feira.
Segundo balanço da Defesa Civil Estadual, ao menos 73 municípios gaúchos já registraram algum tipo de dano provocado pelas chuvas e ventos desde a última sexta-feira (17/7), incluindo destelhamentos, quedas de árvores, bloqueios de rodovias e alagamentos.
Ao todo, 25 pessoas estão desalojadas em sete municípios: Alegrete, Cerro Branco, Cidreira, Dona Francisca, São Borja, Santa Maria e Vale do Sol.
Sete municípios gaúchos têm, neste momento, situação de emergência reconhecida pelo governo federal:
A medida está na Portaria nº 2.343, de 17 de julho de 2026, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, publicada no Diário Oficial da União.
No entanto, o governo do Rio Grande do Sul emitiu uma nota de esclarecimento nesta terça-feira (21/7) informando que esse reconhecimento não está relacionado aos temporais que atingem o estado agora.
Os decretos municipais que embasaram o pedido foram expedidos entre 5 de maio e 6 de julho deste ano, ou seja, tratam de eventos climáticos anteriores.
A confusão surgiu porque a divulgação inicial da medida, na segunda-feira (20/7), não deixou claro o período a que os decretos se referiam, o que levou à interpretação equivocada de que os sete municípios estariam em emergência por causa da enchente atual do Taquari e do Caí.
Até a publicação deste texto, nenhum novo reconhecimento federal de emergência havia sido publicado especificamente para os eventos desta semana.
O reconhecimento é o passo que permite às prefeituras solicitar recursos da União para socorro, assistência às famílias e reconstrução de infraestrutura.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul recomenda que moradores de áreas de risco sigam algumas orientações básicas enquanto durar o alerta:
Em caso de emergência, a orientação é acionar a Brigada Militar pelo telefone 190 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantinha, até esta quarta-feira, um aviso vermelho de grande perigo para acumulado de chuva, cobrindo uma faixa que vai de São Borja até a divisa com Santa Catarina, passando pela Região Metropolitana de Porto Alegre.
O alerta abrange 264 municípios entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com risco de alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos de encostas.
A boa notícia é que o tempo deve melhorar nos próximos dias.
Uma massa de ar frio e seco avança sobre o Rio Grande do Sul a partir de quinta-feira (23/7), o que deve reduzir as chuvas na maior parte das regiões, acompanhada de queda nas temperaturas.
No Oeste, na Campanha, na Fronteira Oeste, no Centro e no Noroeste do estado, a tendência é de sol entre nuvens.
Já na metade leste, incluindo a Região Metropolitana de Porto Alegre, os Vales e o Litoral, o céu deve seguir mais carregado, com possibilidade de chuviscos ou chuva fraca, sem volumes expressivos.
Na sexta-feira (24/7), uma nova frente fria pode voltar a aumentar a nebulosidade e provocar pancadas de chuva entre a tarde e a noite no Noroeste, Norte e extremo norte gaúcho.
Nas demais regiões, a expectativa é de sol entre nuvens e ausência de chuva relevante.
Vale lembrar que o Rio Grande do Sul viveu, em 2024, o maior desastre climático de sua história.
As enchentes daquele ano deixaram mais de 180 mortos e prejuízos bilionários, atingindo cerca de dois terços dos municípios do estado.
Desde então, o governo estadual tem investido em sistemas de monitoramento e alerta precoce, com apoio de organismos como o Banco Mundial, para tentar reduzir o impacto de novos eventos extremos como o desta semana.