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Brasil garante acesso a mercado europeu com tarifa zero para 82% das exportações

Parceria com a UE também pode gerar mais de 20 mil empregos por bilhão exportado, segundo a CNI

Cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-UE: acordo reposiciona Brasil no comércio global após 25 anos de negociação (Luis ROBAYO/Getty Images)

Cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-UE: acordo reposiciona Brasil no comércio global após 25 anos de negociação (Luis ROBAYO/Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 13h48.

Com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, o Brasil pode quadruplicar sua cobertura de acordos comerciais preferenciais no mundo, saltando de 8% para 36% das importações globais de bens abrangidas por tratados de livre-comércio. A projeção é da Confederação Nacional da Indústria, que destaca ainda o peso da UE no cenário global: em 2024, o bloco respondeu por 28% do comércio mundial.

O acordo também garante isenção tarifária imediata para 82,7% das exportações brasileiras destinadas ao mercado europeu, enquanto apenas 15,1% das importações brasileiras vindas da UE terão tarifa zerada de forma equivalente. A diferença no ritmo de abertura dos mercados foi considerada estratégica para a indústria nacional.

A União Europeia foi o destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras em 2024, o equivalente a 14,3% do total vendido pelo país ao exterior, e respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, ou 17,9% do total. A relação é sustentada principalmente pela indústria: 98,4% das importações brasileiras do bloco foram de bens industriais, e 46,3% das exportações nacionais à UE também vieram desse setor.

Segundo a CNI, o tratado assinado neste sábado, 17, em Assunção, no Paraguai, após mais de 25 anos de negociações, é uma virada estratégica para a indústria brasileira. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a decisão reposiciona o Brasil no comércio global, diversifica parcerias e cria tempo para adaptação gradual da indústria.

Do total de bens que o Brasil exporta, apenas 0,9% terão que aguardar dez anos para obter isenção tarifária no bloco europeu. Em contrapartida, 56,7% das importações brasileiras vindas da UE só terão suas tarifas eliminadas entre dez e quinze anos após o início da vigência, garantindo uma transição considerada equilibrada para o setor produtivo nacional.

Além disso, o país terá um tempo médio de oito anos adicionais para implementar as reduções tarifárias, em comparação com os prazos da União Europeia. A redução afetará, ao todo, 4,4 mil itens (44,1% dos produtos), o que assegura previsibilidade.

Impacto industrial e investimento europeu

O acordo prevê que 54,3% dos produtos exportados pelo Mercosul terão tarifa zero imediatamente ao entrarem na UE. Entre os principais beneficiados estão setores agroindustriais, como o de carne bovina e arroz, com cotas superiores às oferecidas a países como Canadá e México.

A cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE em 2024, foram criados em média 21,8 mil empregos, movimentando R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção. A expectativa da CNI é que a parceria gere novas oportunidades de cooperação tecnológica, sobretudo em áreas como descarbonização industrial, bioinsumos, hidrogênio de baixa emissão e reciclagem de baterias.

O bloco europeu também é o principal investidor estrangeiro no Brasil: em 2023, respondeu por 31,6% do estoque de investimentos produtivos estrangeiros, somando US$ 321,4 bilhões. Já o Brasil foi o maior investidor latino-americano na UE, com 63,9% dos investimentos externos do país direcionados ao bloco.

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