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Brasil é o 'campeão mundial' de raios com 8 mil descargas por minuto

Localização tropical favorece fenômeno; projeção do Inpe indica salto para 100 milhões de ocorrências anuais até 2100

Brasil registra 78 milhões de raios por ano, média de 8 mil por minuto (Elat/Ipen/Agência Fapesp)

Brasil registra 78 milhões de raios por ano, média de 8 mil por minuto (Elat/Ipen/Agência Fapesp)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 18h07.

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O Brasil mantém a liderança isolada como o país com a maior incidência de raios em todo o planeta. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o território nacional tem 78 milhões de descargas atmosféricas por ano — o que representa o número de oito mil raios a cada minuto.

A posição geográfica do Brasil é o fator determinante para esse recorde. Por ser o maior país da zona tropical do globo — área onde o ar quente e a umidade favorecem a formação de nuvens de tempestade —, o Brasil funciona como um paraíso para as descargas elétricas.

Segundo o coordenador do Inpe, Osmar Pinto Junior, em entrevista ao Valor Econômico, a projeção é de que o país salte para 100 milhões de ocorrências anuais até 2100, com a região Norte concentrando o maior volume de descargas.

O poder de destruição de um raio

A intensidade de um raio médio é cerca de mil vezes superior à de um chuveiro elétrico. Uma única descarga pode ultrapassar os 30 mil ampères e percorrer distâncias de até 5 km. Esse nível de energia é capaz de causar danos severos tanto a seres humanos quanto à infraestrutura das cidades.

Quando essa energia entra em contato com o corpo humano, ela percorre tecidos, nervos e vasos sanguíneos, afetando múltiplos sistemas ao mesmo tempo. De acordo com o Ministério da Saúde, a chance de sobreviver a uma descarga de raio direto é de apenas 2%. As pessoas também podem ser atingidas por correntes elétricas que se propagam no solo, a partir do ponto que o raio atingiu. 

Diante deste cenário, especialistas reforçam que a prevenção não é opcional. O uso de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) é obrigatório por normas técnicas, como a ABNT NBR 5410. O mercado atual oferece soluções que permitem conexões mais rápidas e eficientes em quadros elétricos, reduzindo o tempo de instalação.

A recomendação é combinar diferentes classes de proteção para garantir que a corrente impulsiva do raio seja drenada antes de queimar aparelhos residenciais ou industriais.

Os principais impactos de ser atingido por um raio incluem:

  • Sistema cardiovascular: a descarga elétrica pode provocar parada cardíaca imediata ou arritmias graves. Mesmo quando o coração volta a bater espontaneamente, há risco de lesões secundárias e insuficiência cardíaca.
  • Sistema neurológico: o cérebro e o sistema nervoso central estão entre os mais vulneráveis. Pessoas atingidas podem apresentar perda de consciência, confusão mental, alterações de memória, dificuldade de fala, convulsões e déficits motores temporários ou permanentes.
  • Sistema respiratório: a interrupção do comando neurológico da respiração pode causar parada respiratória.
  • Queimaduras e lesões externas: apesar de nem sempre visíveis, queimaduras podem ocorrer na pele, especialmente nos pontos de entrada e saída da corrente elétrica. Em alguns casos, roupas e acessórios metálicos intensificam as lesões.
Acompanhe tudo sobre:RaiosMinistério da Saúde

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