Redação Exame
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 16h16.
As buscas pelos sete desaparecidos após o naufrágio de uma embarcação no Encontro das Águas, no Amazonas, entraram no quarto dia nesta segunda-feira, 16. O barco havia saído de Manaus na última sexta-feira com destino ao município de Nova Olinda do Norte, mas virou na região onde os rios Negro e Solimões se encontram. Duas pessoas morreram, uma criança de três anos e uma jovem de 22, e 71 passageiros foram resgatados com vida.
Segundo autoridades locais, as operações de resgate enfrentam alto grau de complexidade devido às características naturais da região. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, destacou fatores como correntes de arrasto, diferença de densidade entre os rios, formação de redemoinhos e condições meteorológicas adversas.
Até o momento, equipes percorreram cerca de 10 quilômetros rio abaixo. A embarcação foi localizada a aproximadamente 50 metros de profundidade.
A força-tarefa montada pelo governo do Amazonas envolve 25 bombeiros mergulhadores, seis embarcações do Corpo de Bombeiros, além de 20 agentes e duas lanchas da Defesa Civil. As buscas também contam com apoio da Polícia Militar, Polícia Federal, drones e helicópteros.
Três sonares subaquáticos passaram a integrar a operação, dois voltados à leitura do leito do rio e um para detecção de metais. Os equipamentos foram cedidos pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, que enviou ainda cinco militares especializados, prática comum em ocorrências consideradas de alta complexidade.
O comandante da embarcação foi preso em flagrante logo após o resgate, na sexta-feira, mas pagou fiança e responderá em liberdade por homicídio culposo. Paralelamente, a Marinha do Brasil abriu inquérito administrativo para apurar causas e responsabilidades do naufrágio e enviou aeronave e embarcações para auxiliar nas buscas.
Um posto de atendimento aos familiares dos desaparecidos começou a funcionar nesta segunda-feira no Porto Privatizado de Manaus, das 8h às 18h. Equipes da assistência social, psicólogos e autoridades municipais participam do suporte às famílias.
Os sobreviventes foram levados a Manaus ainda na noite do acidente. A Secretaria de Estado de Assistência Social informou que presta atendimento psicológico, ajuda na identificação dos passageiros e suporte emergencial às famílias.
A empresa responsável pela embarcação, Lima de Abreu e Navegações, afirmou em nota que o barco estava regularizado, com documentação e inspeções em dia, e que colabora com as investigações. Segundo o comunicado, a prioridade tem sido prestar assistência às vítimas e seus familiares.
*Com informações da agência O Globo