Lula em sabatina no Jornal Nacional (Manoella Melo/TV Globo)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 17h36.
Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 17h45.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve participar do debate da TV Globo nesta quinta-feira, 1º de outubro. A decisão é tratada como praticamente definitiva por integrantes da campanha ouvidos pela EXAME sob reserva.
Para não perder a oportunidade de apresentar as propostas do petista, a campanha negocia uma entrevista de Lula a um podcast de grande audiência no mesmo horário do debate, marcado para começar às 21h30.
A campanha ainda negocia qual será o podcast do qual o petista participará. O presidente já conversou, durante esta campanha, com os podcasts Inteligência LTDA, Não Inviabilize, As Cunhãs, Desce a Letra e Meteoro Brasil. Em 2022, também conversou com Flow e Podpah, dois dos maiores do gênero do país.
A avaliação de integrantes do núcleo de sua campanha à reeleição é de que o formato do debate da Globo e o fato de todos os demais candidatos serem de direita transformariam Lula em vidraça e trariam um risco desnecessário a três dias do primeiro turno.
A estratégia repetiria o que Lula já fez no primeiro e único debate presidencial desta campanha, realizado em 23 de agosto de 2026, promovido pela TV Bandeirantes.
Na ocasião, foi ao ar uma entrevista de Lula na TV Record, no mesmo horário em que os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) faziam e respondiam perguntas entre si. Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) haviam decidido não ir ao debate.
No evento promovido pela Band, a decisão de Lula chegou a irritar Cury, que ensaiou desistir em cima da hora do debate.
Desta vez, três integrantes da campanha ouvidos pela EXAME sob anonimato dizem que, embora a ida ao debate significasse expor Lula a uma grande audiência, o formato e a mediação lhe seriam adversos.
Um aliado de Lula a par das conversas sobre o assunto diz que a campanha do petista já argumentou junto à Globo que a mediação dos debates precisa ser revista por ser leniente com ataques verbais proferidos por candidatos.
A expectativa de que, caso comparecesse, Lula ficaria esperando 20 minutos para ter a palavra e teria de responder a uma sequência de críticas pessoais em um intervalo curto foi determinante para a decisão.
Havia, por exemplo, o receio de que os candidatos Caiado e Cury concentrassem sua artilharia verbal em Lula, o que funcionaria, na prática, como uma espécie de linha auxiliar de Flávio Bolsonaro.
Um integrante da campanha de Lula diz que, sem o presidente, a dinâmica do confronto deve ser desfavorável a Flávio Bolsonaro, que já disse publicamente que vai ao debate da TV Globo mesmo sem a presença do rival petista.
Com isso, o senador deverá ser alvo de Caiado e Cury. Renan Santos e Romeu Zema não foram convidados pela emissora.
Nesta semana, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que Lula "quer muito confrontar o Flávio Bolsonaro", mas que o modelo do debate teria de permitir interações diretas entre os dois.
"Se for um modelo de debate em que o presidente Lula faz uma pergunta e fica meia hora esperando para fazer a segunda, é evidente que esse confronto de ideias e de projetos não vai acontecer", afirmou em entrevista à rádio TMC.
O advogado Marco Aurélio Carvalho, que está na coordenação da campanha do presidente em São Paulo, diz que o debate tende a não ter apresentação de propostas no primeiro turno.
"Não vejo sentido para o presidente Lula se desgastar para fazer um debate que não terá discussão programática. No segunto turno, aí sim, acredito que deveria ir debater com Flávio Bolsonaro", diz Carvalho.