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Após bets e boato sobre Nossa Senhora, Lula ganha fôlego, mas 2º turno é provável, diz analista

Marcelo Tokarski vê possível efeito do noticiário na oscilação do presidente, mas diz que disputa com Flávio Bolsonaro segue aberta e que migração da terceira via ainda é limitada

 (Ricardo Stuckert /Lula/Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro/Flickr)

(Ricardo Stuckert /Lula/Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 28 de setembro de 2026 às 11h00.

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O presidente Lula ampliou de três para cinco pontos percentuais a diferença sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno da pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 28. Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, a melhora pode ter relação com a repercussão da proibição das bets e da polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, embora o levantamento não permita estabelecer uma relação de causa e efeito. O analista também afirma que a corrida pelo voto útil ainda não se concretizou e que o segundo turno permanece em empate técnico.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou fôlego na reta final do primeiro turno da eleição presidencial, mas ainda não há sinais de uma migração ampla de eleitores da chamada terceira via para os dois principais candidatos, segundo avaliação de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

“O Lula ganhou um fôlego para tentar manter a liderança e chegar em primeiro no primeiro turno. Ele estava em uma tendência de encurtamento da diferença. Essa diferença parou de encurtar e até cresceu um pouco”, afirma.

A pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 28, mostra Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na rodada anterior, divulgada em 21 de setembro, o presidente tinha 40%, e Flávio, os mesmos 37%. A diferença entre os dois passou, portanto, de três para cinco pontos percentuais.

Para o analista, a melhora de Lula pode ter relação com a repercussão das discussões sobre a proibição das bets e do boato envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

“Não posso afirmar que o voto mudou por conta disso, mas é uma boa hipótese de que teve, sim, um efeito. Mas não foi um efeito gigantesco”, diz Tokarski à EXAME.

Segundo ele, esta é a primeira rodada da pesquisa capaz de captar ao menos parte da repercussão dos dois episódios no eleitorado. Na sexta-feira, 25, Lula anunciou uma medida provisória para proibir a operação das bets no Brasil. No fim de semana, também ganhou espaço nas redes sociais a controvérsia sobre postagens que associavam Flávio Bolsonaro e sua família à retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. No domingo, o ministro Flávio Dino, do STF, anulou parcialmente uma decisão de André Mendonça que determinava a retirada dessas publicações.

Tokarski ressalta que Lula oscilou dois pontos para cima, dentro da margem de erro do levantamento. Para ele, o dado mais relevante é que o movimento de redução da distância entre os dois candidatos foi interrompido nesta rodada, enquanto Flávio permaneceu no mesmo patamar.

“O Lula cresceu esses dois pontos, foi para 42%, que, a rigor, é o melhor desempenho que ele costuma ter, e o Flávio está pela terceira semana consecutiva em 37%. Então, o Flávio parou de crescer no primeiro turno”, afirma.

Voto útil ainda não aparece na reta final

A principal dúvida para os últimos dias antes da votação, segundo Tokarski, é se os eleitores dos demais candidatos migrarão para Lula ou Flávio Bolsonaro em uma tentativa de influenciar a definição da eleição já no primeiro turno.

Até agora, os números da Nexus não mostram esse movimento. Os candidatos que não são Lula nem Flávio somam cerca de 16% das intenções de voto no cenário estimulado, percentual semelhante ao registrado anteriormente.

Na avaliação de Tokarski, a manutenção desse contingente nos demais candidatos indica que a corrida pelo voto útil ainda não se concretizou a seis dias do primeiro turno.

“A soma da terceira via não encolheu. Ela ficou em 16 pontos. Com isso, o voto válido do Lula ficou em 44%, era 43% na semana passada. Então, ele continua distante de ganhar no primeiro turno”, diz.

Nos votos válidos calculados pela pesquisa, Lula registra 44%, enquanto Flávio aparece com 39%. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, cálculo que exclui votos brancos e nulos.

Outro indicador observado pela Nexus é o grau de convicção do eleitor. Segundo Tokarski, 87% dos entrevistados que declararam voto em algum candidato afirmam que não pretendem mudar de escolha até a eleição.

Entre os eleitores dos candidatos que estão fora dos dois principais polos, 64% dizem que não pretendem alterar o voto, enquanto cerca de 36% admitem uma mudança. Esse segundo grupo representa aproximadamente cinco pontos percentuais do eleitorado.

“Se o eleitor for coerente com o que está dizendo, só isso já garantiria a realização de segundo turno. Mesmo que todos esses cinco pontos percentuais da terceira via mudassem, eles teriam que mudar todos para um único candidato”, afirma.

Tokarski pondera que uma migração ainda pode ocorrer nos últimos dias, mas diz que seria improvável que ela tivesse apenas um destino.

“Mesmo que haja na reta final uma corrida de voto útil, nunca vai tudo para um lugar só”, diz.

Flávio atrai mais votos da terceira via no segundo turno

O comportamento dos eleitores em uma eventual segunda etapa ajuda a mostrar para onde parte dos votos dos demais candidatos pode migrar. Lula passa dos 42% registrados no primeiro turno para 46% na disputa direta com Flávio, um acréscimo de quatro pontos percentuais.

Flávio faz um movimento maior: sai de 37% para 44%, uma diferença de sete pontos.

“Continua aquela proporção quase perfeita — não chega a dar isso — de que, para cada um que do primeiro turno vai para o Lula, vão dois para o Flávio”, afirma Tokarski.

Para o CEO da Nexus, uma hipótese é que parte dos eleitores que poderia migrar para Lula em um eventual segundo turno já tenha antecipado essa escolha no primeiro.

“O Lula no segundo turno tem 46% e ficou com 46%. E ele cresceu dois pontos no primeiro turno. Então, muito possivelmente é disso que se trata”, diz.

Apesar dessa diferença na capacidade de atrair os eleitores dos demais candidatos, Lula parte de um patamar maior no primeiro turno. Na simulação de confronto direto, o presidente registra 46%, e Flávio, 44%.

A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro, o que mantém Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico em um eventual segundo turno.

Na pesquisa BTG/Nexus da semana anterior, Lula tinha os mesmos 46%, enquanto Flávio marcava 45%.

Tokarski chama atenção para o fato de esta ser a primeira vez em seis semanas que um dos candidatos aparece numericamente dois pontos à frente na série da Nexus. O movimento, contudo, não altera a classificação estatística da disputa.

“O desenho de segundo turno continua absolutamente aberto, disputado voto a voto, porque uma diferença de dois pontos estatisticamente não é uma diferença”, diz.

Rejeição mantém disputa equilibrada

O equilíbrio também aparece na rejeição dos dois principais candidatos. Flávio Bolsonaro registra 51% de entrevistados que afirmam não votar nele de jeito nenhum, enquanto Lula aparece com 48%.

Na rodada anterior, Flávio tinha 50% e Lula, 49%. Como as mudanças foram de apenas um ponto percentual, as oscilações estão dentro da margem de erro.

“A do Lula oscilou positivamente para ele, foi de 49% para 48%. A do Flávio, negativamente para ele, foi de 50% para 51%. Mas 48% a 51% ainda é um empate de rejeições”, diz Tokarski.

A alta rejeição dos dois candidatos já havia aparecido como um dos fatores para explicar a dificuldade de abertura de vantagem no confronto direto. Em análise anterior à EXAME, Tokarski afirmou que a rejeição cruzada de Lula e Flávio limita o espaço para crescimento dos dois no segundo turno.

“A eleição está extremamente aberta. Vamos ter que observar nessa reta final se haverá corrida de voto útil e, principalmente, se essa melhora que o Lula teve se mantém, se foi uma empolgação no calor do momento do noticiário ou se eventualmente até continua. Isso as próximas pesquisas é que vão dizer”, afirma.


Perguntas frequentes

Quanto Lula e Flávio Bolsonaro têm na pesquisa BTG/Nexus? +

Lula aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%. Na rodada anterior, Lula tinha 40%, e Flávio, 37%.

Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados no primeiro turno? +

Não. Lula aparece cinco pontos percentuais à frente, com 42% contra 37% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro informada pela Nexus é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A eleição pode terminar no primeiro turno? +

Na pesquisa BTG/Nexus, Lula tem 44% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro, 39%. Para ser eleito no primeiro turno, um candidato precisa superar 50% dos votos válidos. Marcelo Tokarski avalia que, pelos números atuais, o cenário aponta para a realização de um segundo turno, mas ressalta que ainda há dias de campanha.

O voto útil já começou na eleição de 2026? +

Segundo Tokarski, a pesquisa ainda não mostra uma migração ampla dos eleitores dos demais candidatos para Lula ou Flávio Bolsonaro. Os candidatos fora dos dois principais polos somam cerca de 16% das intenções de voto.

Quantos eleitores ainda admitem mudar de voto? +

Segundo os dados citados por Tokarski, 87% dos eleitores que declararam voto em algum candidato dizem que não pretendem mudar. Entre os eleitores dos candidatos fora dos dois principais polos, cerca de 36% admitem trocar de escolha.

Como está o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro? +

Lula registra 46% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 44%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro, configurando empate técnico.

A pesquisa mostra que bets e a polêmica sobre Nossa Senhora ajudaram Lula? +

Não é possível estabelecer essa relação. Tokarski considera que os episódios podem ser uma hipótese para explicar a oscilação de Lula, mas a pesquisa não perguntou aos entrevistados se esses temas influenciaram sua escolha.

Quando foi feita a pesquisa BTG/Nexus? +

A Nexus entrevistou 2.000 eleitores entre 25 e 27 de setembro de 2026, por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual S.A. e registrado no TSE sob o protocolo BR-07557/2026.

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