Eleições: crise no STF atinge imagem dos principais candidatos (Alejandro Zambrana/STF/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 07h00.
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ser apontada pelos eleitores como um fator de desgaste para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial de 2026, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira, 17.
Para 49,5% dos entrevistados, o atual presidente é o mais prejudicado pelo cenário, enquanto 20,9% avaliam que o maior impacto recai sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O levantamento foi divulgado após a sessão do STF realizada na terça-feira, 15, que analisou uma questão de ordem relacionada ao caso Banco Master e à possibilidade de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
O julgamento não entrou no mérito das acusações: a discussão foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que suspendeu a análise sobre a possibilidade de reunir os processos relacionados a Moraes e ao ministro André Mendonça.
A crise teve início após a divulgação de documentos e mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que passaram a envolver o nome de Moraes e levaram o STF a discutir os procedimentos da investigação.
A sessão de terça-feira foi marcada por bate-boca entre ministros, com troca de acusações e divergências sobre a condução dos processos e sobre a forma de análise dos casos.
A pesquisa também mediu a percepção dos eleitores sobre as suspeitas envolvendo o Banco Master. Para 41,2% dos entrevistados, aliados de Jair Bolsonaro são os principais envolvidos no caso, enquanto 40,2% apontam aliados de Lula.
Outros 13,8% avaliam que todos estão igualmente envolvidos, e 3,4% citam o Centrão, grupo de partidos de centro com forte presença no Congresso Nacional.
Mesmo com a repercussão da crise, a disputa presidencial segue concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro: o petista aparece com 44,1% das intenções de voto no primeiro turno, contra 41,7% do senador do PL.
A pesquisa Atlas/Bloomberg ouviu 5.018 eleitores entre 11 e 16 de setembro de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de 1 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Bloomberg e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06221/2026.