Lula: presidente defende o fortalecimento das Forças Armadas (Ricardo Stuckert/Lula Oficial/Flickr)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 24 de julho de 2026 às 14h02.
Última atualização em 24 de julho de 2026 às 14h18.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 24, que o setor de Defesa brasileiro deve ser fortalecido com armamento, tecnologia e soldados para que seja possível proteger os minerais críticos e as terras raras. As falas ocorrem um dia após o anúncio de que o Brasil foi incluído em um novo tarifaço do governo de Donald Trump, com uma taxa adicional de 12,5% devido a acusações de trabalho forçado.
"Esse país é muito poderoso. Ainda não sabemos o potencial dos minerais críticos e das terras raras", afirmou o petista em visita às instalações da Avibras Aeroco, empresa brasileira de alta tecnologia, ligada aos setores de defesa e espacial civil. "As Forças Armadas são como Deus, você pode não acreditar, mas na primeira dor de barriga diz 'ah, meu Deus', as Forças Armadas são a mesma coisa."
O presidente afirmou que quer as Forças Armadas com soldados suficientes e com poderio de armamentício e tecnológico para "proteger o Brasil". "Estaremos preparados para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país", disse Lula, que acredita que "temos loucos pelo mundo querendo guerra."
As falas ocorrem durante uma maior aproximação entre o petista e o setor militar, que havia se alinhado em grande parte ao bolsonarismo desde 2018. Nesta segunda-feira, 20, o presidente assinou um decreto que autoriza a atuação das Forças Armadas no apoio logístico às eleições de outubro.
A aproximação de Lula com o setor militar também foi marcada pela publicação do Decreto nº 13.073, em vigor desde terça-feira, 21, que autoriza o emprego das Forças Armadas para garantir a votação, a apuração e prestar apoio logístico nas eleições de 2026.
Segundo o decreto, as localidades e o período de atuação dos militares serão definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme as requisições da Justiça Eleitoral.
O texto foi assinado por Lula, pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, e pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro dos Santos. A medida entrou em vigor na data de sua publicação.
Os Estados Unidos impuseram uma nova tarifa ao Brasil, de 12,5%, nesta quinta-feira, 23, pela acusação de que as exportações feitas pelo país se beneficiam de trabalhos forçados.
A nova taxa será aplicada, ao todo, a 60 economias que foram alvo da mesma acusação. Há também, uma lista de produtos isentos, que inclui carne, café e outros itens. Mercadorias que já eram alvo de tarifas pela Seção 232 ficam isentas da nova cobrança.
A medida entra em vigor à 1h01 desta sexta-feira, 24, hora de Brasília. Na prática, a nova cobrança substituirá outra tarifa, de 10%, que estava em vigor desde fevereiro e havia sido adotada depois que a Suprema Corte derrubou as tarifas recíprocas que o presidente Donald Trump havia criado em abril de 2025.
A nova cobrança varia de acordo com o país. Alguns deles, que teriam aplicado medidas mais firmes contra o trabalho forçado, serão taxados em 10%. São eles: Argentina, Bangladesh, Camboja, Canadá, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Índia, Indonésia, Jordânia, Malásia, México, Paquistão, Sri Lanka, Trinidad e Tobago e Reino Unido.
Haverá, ainda, uma taxa intermediária entre 10% e 12,5% para alguns produtos da União Europeia, Taiwan, Japão, Coreia e Suíça.
Os demais países, como o Brasil, foram alvo da tarifa de 12,5%.
Na semana passada, o Brasil já havia sido alvo de outra tarifa, de 25%. Assim, parte dos produtos poderá ter uma cobrança somada de 37,5%. Os EUA divulgaram duas listas de isenções, com milhares de itens, e que ainda estão sendo analisadas, para determinar qual será o impacto exato das novas cobranças.