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Advogado de Lulinha se reúne com Lula e critica vazamentos de inquérito sobre filho do presidente

Marco Aurélio de Carvalho comemora pedido da PGR para que inquérito seja remetido à primeira instância

Lula ao lado dos filhos Fábio Luís (ao centro) e Luís Cláudio em 2018, durante missa em São Bernardo do Campo (NELSON ALMEIDA / AFP/Getty Images)

Lula ao lado dos filhos Fábio Luís (ao centro) e Luís Cláudio em 2018, durante missa em São Bernardo do Campo (NELSON ALMEIDA / AFP/Getty Images)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 20 de agosto de 2026 às 16h08.

Última atualização em 20 de agosto de 2026 às 16h11.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na noite desta quarta-feira, 19, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que integra a equipe de defesa de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Palácio da Alvorada. Carvalho diz ter reiterado ao presidente sua insatisfação com o que chama de "vazamentos seletivos e politicamente motivados" contra Lulinha por parte da Polícia Federal (PF).

À EXAME, o advogado diz que foi conversar com Lula sobre a agenda eleitoral do petista. Carvalho, do Grupo Prerrogativas, de juristas progressistas, é apoiador do presidente e participa da coordenação das agendas de campanha do petista em São Paulo. Ele e o presidente têm uma relação de amizade.

Carvalho diz ter ido tratar principalmente de datas para atos de campanha de Lula com movimentos sociais e da sociedade civil em São Paulo e afirma que foi ele quem tocou no assunto dos inquéritos que investigam suposta prática, por Lulinha, de tráfico de influência.

"Conversamos sobre ele (Lula) ter agendas em São Paulo o maior número de vezes possível. Pedi a ele agendas para movimentos sociais e, depois, eu disse que precisava levar ao conhecimento dele que eram verdadeiras as informações veiculadas na imprensa sobre o meu descontentamento com vazamentos seletivos a serviço de interesses políticos e eleitorais (contra Lulinha) e minha impressão de que isso poderia ter um efeito eleitoral", diz Carvalho.

O advogado disse que Lula reiterou o que tem dito publicamente: que acredita na inocência do filho, que Lulinha não está acima da lei e que, se for culpado, deverá pagar por seus erros. Segundo Carvalho, o presidente também lhe pediu que o filho se colocasse à disposição da Justiça. "Isso já em sido feito", diz.

"Sei que Lula garante autonomia à PF e eu disse isso a ele. Não tem problema ninguém ser tratado como se estivesse acima da lei, mas não posso permitir que alguém seja tratado abaixo da lei. Também disse que, se ele (Lulinha) não fosse filho do presidente, o inquérito sobre o INSS teria sido arquivado", disse.

Carvalho também disse receber "sem surpresa" o pedido da Procuradoria-Geral da República, que solicitou ao Supremo Tribunal Federal que o inquérito que apura o suposto tráfico de influência de Lulinha em órgãos do governo federal seja remetido à primeira instância, dado que não há investigados com prerrogativa de foro. A solicitação ainda será analisada pelo relator do inquérito, André Mendonça.

O advogado de Lulinha já havia reclamado pessoalmente da divulgação de informações sobre o inquérito que investiga o filho do presidente no caso de fraudes do INSS com o delegado-geral da Polícia Federal e, mais recentemente, com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

Mensagens entre Lulinha e sua amiga Roberta Luchsinger que estão em poder da PF evidenciam que ambos mantinham conversas sobre negócios em conjunto em relação ao governo federal. Em mensagem enviada no dia 22 de março de 2024, por exemplo, a empresária diz: "Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe". Lulinha responde dizendo "Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada".

A PF investiga se Lulinha e Roberta atuaram para favorecer o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, na obtenção de contratos de venda de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde. Embora haja evidências de que as tratativas ocorreram, não houve assinatura de contrato.

Lulinha é mencionado em ao menos outros dois inquéritos sob a relatoria de André Mendonça, e em mais um sob a relatoria do ministro Flávio Dino. Este último também apura os vazamentos de informações colhidas pela PF nas investigações, a pedido da defesa de Lulinha.

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