(Divulgação/IB)
Redatora
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 15h55.
RESUMO | O International Baccalaureate (IB) ampliou a oferta de seus programas em português no Brasil, onde já está em 13 estados. O Diploma Programme (DP) é reconhecido por mais de 30 universidades brasileiras. A organização diz que quer atrair escolas públicas, já que 45% das mais de 6.200 instituições do IB no mundo são da rede pública, e defende que a metodologia ajuda a colocar em prática a BNCC. A matéria mostra o que muda para escolas e estudantes e o que ainda falta saber.
O International Baccalaureate (IB), organização criada em 1968 e presente em mais de 160 países, ampliou a oferta dos seus programas em português no Brasil. Hoje, eles estão em 13 estados, e o Diploma Programme (DP) é reconhecido por mais de 30 universidades brasileiras.
O movimento faz parte da estratégia de expansão do IB no país. A organização atende mais de 2 milhões de estudantes em mais de 6.200 escolas no mundo, e 45% dessas escolas estão na rede pública. No Brasil, a aposta é replicar esse perfil.
Os quatro programas do IB são o Primary Years Programme (PYP), o Middle Years Programme (MYP), o Diploma Programme (DP) e o Career-related Programme (CP). Eles atendem estudantes de 3 a 19 anos e se baseiam em investigação: o aluno parte de perguntas e constrói o conhecimento, em vez de receber o conteúdo pronto.
Para Maripé Menéndez, diretora do IB para a América Latina, Portugal e Espanha, o idioma é uma das barreiras que a oferta em português derruba. "A adoção de programas em português expande o acesso e a inclusão a metodologias centradas na investigação e na construção ativa do conhecimento desde os primeiros anos", diz.
Segundo ela, a mudança também facilita a transição dos professores para novas práticas e reduz as barreiras linguísticas para as famílias. O inglês, o espanhol e outras línguas podem ser fortalecidos ao longo do tempo, sem que a proficiência seja condição de entrada.
Para quem pensa na faculdade, o dado que mais pesa é o reconhecimento do DP por mais de 30 instituições de ensino superior brasileiras. A lista inclui escolas de negócios, de medicina e de ciências sociais aplicadas, o que mostra que o interesse vai além de uma área específica.
Esse reconhecimento é uma das ferramentas que o IB usa para reduzir as barreiras à adoção, junto com a presença em 13 estados e o alinhamento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Uma dúvida comum de gestores é se um programa internacional entra em choque com o currículo nacional. O IB responde que não. A BNCC já prevê competências como pensamento crítico, criatividade, resolução de problemas, interdisciplinaridade e autonomia, e a metodologia do IB organiza essas diretrizes em projetos e avaliações integrados.
"O IB não é uma alternativa à BNCC; é um modelo de implementação que ajuda as escolas a desenvolver a BNCC com maior profundidade, coerência pedagógica e conexão global", diz Menéndez.
Na prática, isso acontece por meio do mapeamento curricular. Os requisitos de cada etapa são mantidos, mas passam a ser trabalhados em temas ligados ao mundo real. Um conteúdo de ciências sobre ecossistemas, por exemplo, pode virar um estudo sobre biodiversidade, mudanças climáticas, uso da água ou preservação ambiental.
O IB cita a América Latina como prova de que o modelo funciona na rede pública. Costa Rica, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Argentina e Peru estão entre os países que incorporaram os programas em escolas públicas.
Na Costa Rica, a implementação envolveu a coordenação entre o Ministério da Educação e a associação de escolas IB do país, com formação de professores, apoio à gestão escolar e alinhamento curricular. No Peru, a rede pública de escolas de alto rendimento, o COAR, usa a metodologia para ampliar o acesso a uma educação com referências internacionais.
Para a organização, os casos mostram que a adoção não depende de um perfil específico de escola, mas da construção das condições certas. "A experiência latino-americana mostra que é possível implementar com sucesso os programas do IB na educação pública", diz Menéndez.
No Brasil, essa conta ainda está em aberto. A rede pública do IB no mundo é grande, mas o quanto ela já pesa no país é a pergunta que a próxima etapa da expansão vai responder.